Por George Guimarães | george@autoindustria.com.br

Os emplacamentos de modelos Kia no mercado brasileiro somaram 1,6 mil veículos nos dois primeiros meses do ano, 54,5% a mais do que em igual período do ano passado. Só em fevereiro foram negociadas 983 unidades, crescimento de 116,5% com relação ao resultado de 2017.

Apesar desses números, “devagar com andor”, expressão que sugere prudência nas tomadas de decisão, cabe bem no atual momento da Kia Motors do Brasil. O fim da sobretaxação dos importados imposta pelo Inovar-Auto e das cotas em dezembro, é claramente um alívio, mas não representará ainda a total redenção no negócios da empresa que chegou a emplacar mais de 85 mil veículos no mercado interno em 2011.

Embora projete vender este ano cerca de 20 mil veículos, 150% a mais do que em 2017, e ter programado uma série de lançamentos de produtos,  José Luiz Gandini, presidente da Kia, mantém o acelerador a meio curso em várias frentes, já que o quadro econômico e o dólar valorizado, justifica, ainda não permite céu totalmente azul.

O executivo decidiu, por exemplo, que o Picanto, modelo compacto de entrada que tem demanda elevada e fiéis admiradores aqui, terá apenas vendas residuais ao longo de 2018. Algo da ordem de quarenta a cinquenta unidades mensais. “Apenas para dizer que não o tiramos do mercado”, ilustra o próprio Gandini, que já negociou as duzentas unidades que trouxe no primeiro bimestre.

Esse aparente contrasenso não tem a ver com eventual descrença na qualidade e atratividade do monovolume, mas sim pela falta de competitividade em termos de preço. Com o dólar girando na casa dos R$ 3,25 e a alíquota de importação de 35%, a mais alta permitida pela OMC, o Picanto custa cerca de R$ 59 mil, valor reconhecidamente alto para o segmento.

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A mesma cautela também levou a Kia a adiar para o transcorrer do segundo semestre o início de importação do mexicano Rio, modelo que era aguardo ainda na primeira metade do ano. Neste caso somente em decorrência do dólar alto. Embora nem de longe Gandini acredite em queda da moeda americana para nível muito abaixo do atual, ele prefere esperar por um momento mais favorável das vendas internas:

“Os bons resultados do primeiro bimestre têm a base de comparação muito baixa de 2017. O ano começou agora em março para o mercado automotivo e vamos ver como caminhará nos próximos meses”.

 

Mesmo essa visão, porém, não impedirá crescimento de 10% da atual rede de 95 revendas — boa parte apenas para recolocar a marca em praças que foram abandonadas nos últimos cinco anos  — e o lancamento de todos os demais produtos imaginados para o Brasil e que começaram a ser revelados no fim do ano passado.

O anunciado esportivo Stinger, por exemplo, continua nos planos de Gandini. “Já temos uma unidade aqui para homologação”, revela. Outro modelo é um utilitário esportivo ainda inédito, conhecido apenas pelo código do projeto, KH3, e que será fabricado também no México.


Fotos: Divulgação/ Kia