Por Décio Costa | decio@autoindustria.com.br

As vendas do segmento de máquinas no começo do ano custam a refletir as recentes projeções que vem do campo, de uma safra de 224,3 milhões de toneladas em 2018. Por enquanto, 6% menor que o recorde do ano passado, de 240 milhões de toneladas, mas ainda assim robusta, podendo se estabelecer como a segunda melhor produção agrícola.

No mês passado, as fabricantes entregaram aos concessionários 2.400 unidades, volume 49,7% superior ao de janeiro, de 1.603, mas 22,5% menor do que o registrado em fevereiro do ano passado, quando chegou à rede 3.097 unidades.

No acumulado do primeiro bimestre, o segmento apresentou outro declínio. As 4.003 máquinas negociadas representaram recuo de 30,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando as vendas somaram 5.734 unidades.

Embora apresenta um desempenho em queda, a Anfavea aposta em uma reação em pouco tempo. A projeção da associação das fabricantes é de que segmento de máquinas cresça 3,7% para 46.000 unidades negociadas no mercado interno em 2018. Antonio Megale, no entanto, adianta que o cenário deverá ser diferente. “Máquinas têm viés de alta. Certamente teremos de ajustar as nossas previsões.”

Para Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea e diretor de assuntos corporativos da John Deere, o resultado apresentado até agora, além da sazonalidade do período, diz respeito a um impasse pontual ocorrido no início do ano que provocou hesitação no campo, mas que já faz parte do passado.

“Em janeiro, o BNDES alterou o prazo de financiamento de 12 para 14 meses do Moderfrota, o gerou insegurança para o produtor poder planejar as compras. Mas já se vê crescimento no crédito rural de 15% no primeiro bimestre e há tendência de taxas mais baixas.”

O representante da Anfavea ainda aponta a alta no preço das commodities, a seca na Argentina e as perspectivas de condições climáticas no Estados Unidos como fatores favoráveis adicionais para os campos agrícolas brasileiros na virada do mercado. “O atual índice de confiança dos produtores é dos melhores já visto, depois o Ministério da Agricultura lançou plano logístico para desafogar os portos de Paranaguá (PR) e de Santos (SP) e direcionar pelo menos 40% da produção para a região Norte, que também favorece a reação.”

Ao contrário do mercado interno, as exportações de máquinas seguem em crescimento. Em fevereiro embarcaram 982 unidades, altas de 26,7% sobre janeiro (775 unidades) e de 32,2% na comparação com o mesmo mês de 2017, de 743 máquinas enviadas.

Nos dois primeiros meses de 2018, as remessas alcançaram 1.757 unidades, expansão significativa de 50,6% em relação às 1.167 máquinas embarcadas um ano antes. Segundo a Anfavea, os maiores destinos dos produtos brasileiros são os Estados Unidos, Argentina, México, Canadá e Paraguai.

O ritmo do chão das fábricas acompanhou a evolução das exportações do início do ano. Em fevereiro, as fabricantes produziram 3.911 unidades, crescimento de 43,6% sobre janeiro (2.724 unidades), porém queda de 10% na comparação com o mesmo mês do ano passado, com registro de 4.345 máquinas montadas.

No acumulado do ano, a produção se mostrou praticamente estável, com pequena alta de 1,4%, de 6.544 unidades produzidas no primeiro bimestre do ano passado para 6.635 nos dois primeiros meses de 2018.


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