Por Alzira Rodrigues |alzira@autoindustria.com.br

Apesar de seguir em alta, o mercado de veículos usados apresenta um grande diferencial neste início de 2018. Os seminovos, aqueles com até três anos de uso, deixaram de ser as grandes vedetes dos negócios do setor. Suas vendas despencaram 50,5% no primeiro bimestre, enquanto as dos modelos com mais de quatro anos cresceram 43,2%.

Na média, o mercado de usados expandiu-se em 4,8%, com mais de 2,1 milhões de veículos mudando de dono em todo o Brasil durante o primeiro bimestre, conforme dados divulgados pela Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores.

O levantamento da entidade contempla todos os tipos de veículos, incluindo leves, pesados e motos. Os automóveis e comerciais leves têm peso maior, respondendo por mais de 75% dos negócios.

De acordo com o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos, são vários os fatores que geram a queda da venda de seminovos neste início de ano. Em primeiro lugar a redução da oferta de produtos nesse segmento do mercado.

Com a crise, lembra Ilídio, a venda de veículos zero-quilômetro despencou de 3,5 milhões em 2014 para 2,5 milhões no ano seguinte e baixou na sequência para uma faixa de 2 milhões:

“Isso significa que deixamos de vender no período perto de 4,5 milhões de veículos novos que hoje estariam disponíveis como seminovos. O estoque de carros com até três anos de uso reduziu e com menos oferta tem menos venda”.

Além disso, segundo o presidente da Fenauto, ainda há inadimplência no mercado de carros usados, o que pode levar o consumidor a optar por comprar um automóvel mais velho à vista, fugindo assim do financiamento.

O segmento que mais cresceu no bimestre foi justamente o de veículos com nove a doze anos de uso – 382,5 mil negócios no bimestre, alta de 78,5% sobre os 214,3 mil do mesmo período de 2017.

São produtos ainda não considerado velhinhos, como a Fenauto define os que têm mais de treze anos, que ainda podem ser encontrado em boas condições com preço mais acessível.

O grosso dos negócios relativos a carros usados, no entanto, concentra-se no segmento de produtos com quatro a oito anos de uso. Nesse caso, a expansão foi de 35,7%, com 861,4 mil licenciamentos este ano.

Um outro fator que também gera menor demanda no segmento de seminovos, de acordo com a Fenauto, é a maior demanda neste início de ano pelos veículos zero-quilômetro.

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“A confiança está voltando e com isso o consumidor que tem um poder aquisitivo melhor prefere partir para o carro novo do que comprar um já usado”, explica Santos.

É um movimento inverso do verificado nos últimos três anos – principalmente em 2015 e 2016 – quando as vendas de seminovos cresciam em altos índices enquanto a de novos caiam.

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O importante, segundo o presidente da Fenauto, é que tanto o mercado de usados como um todo como o de zero-quilômetro mostram reação este ano. “O momento é positivo. Acreditamos que o mercado de usados deverá apresentar uma performance positiva gradativa ao longo deste ano.”