Por Alzira Rodrigues | alzira@autoindustria.com.br

Com 14.669 emplacamentos no primeiro trimestre do ano, o mercado de caminhões registra crescimento de 51,7% em relação ao mesmo período em 2017, quando foram comercializadas 9.671 unidades. Diante dessa forte retomada das vendas, a Fenabrave teme que haja falta de caminhões pesados e semipesados, aqueles acima de 30 toneladas, nos próximos meses.

De acordo com o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., no caso dos pesados a retomada da produção é em geral mais lenta do que na indústria de veículos leves, o que gera o risco de desabastecimento do mercado.

Por isso a entidade foi cautelosa ao rever a meta de crescimento para o mercado de caminhões este ano. Enquanto os fabricantes do segmento e os produtores de motores diesel falam em alta de 25% a 30%, a Fenabrave reviu sua projeção de expansão de 9,5% para 17%.

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“Com a crise dos últimos anos, os pedidos foram drasticamente reduzidos e houve problemas na base fornecedora. O tempo para desenvolver novos fornecedores e mesmo para reprogramar para cima os volumes de peças é maior na indústria de caminhões. E com a safra prevista a demanda por pesados e extrapesados está acima do esperado”.

Outra dificuldade, segundo o presidente da Fenabrave, refere-se a componentes importados, principalmente os eletrônicos. “São itens que vêm de países com mercados hoje aquecidos, como Estados Unidos, Alemanha, Coreia e Japão, e por isso acreditamos que esse também possa ser um limitador”.

Sérgio Zonta, diretor da Fenabrave responsável pela área de caminhões e implementos rodoviários, disse que os concessionários bem que gostariam de apostar em crescimento de 30%. Até porque a base do ano passado ainda é baixa e está bem aquém dos tempos áureos do setor.

“Mas o segmento de pesados e extrapesados, que é o que mais cresce, pode enfrentar problemas com falta de produtos. Por isso estamos apostando em alta de 17%”.

Acompanhando o bom desempenho dos caminhões, o mercado de implementos rodoviários também está superaquecido. As vendas nesse segmento atingiram 3.630 unidades em março e 9.073 no acumulado do primeiro trimestre.

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Tal resultado garantiu crescimento de 78,78% nas vendas de implementos rodoviários sobre o mesmo período de 2017 (5.075 emplacamentos), o maior índice de expansão entre todos os segmentos representados pela Fenabrave (a entidade também computa venda de tratores e motos, além dos veículos leves e pesados).