Por Alzira Rodrigues | alzira@autoindustria.com.br

Após greve na Renault encerrada há uma semana, agora é a vez de os trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo, SP, da Mercedes-Benz entrarem em greve reivindicando uma PLR, Participação nos Lucros e Resultados, maior do que a proposta pela montadora e também índices superiores de reajuste salarial.

Reflexo claro de que a alta no mercado de veículos, tanto de automóveis como de caminhões e ônibus, volta a agitar o movimento sindical, que esteve retraído no auge da crise do setor, entre 2013 e começo do ano passado. No período os trabalhadores não só aceitaram reajustes de salário abaixo da inflação, como acataram medidas de flexibilização no trabalho, como lay-off e PSE.

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Agora o que se vê é exatamente o contrário. Há um forte movimento em busca de novas conquistas trabalhistas nas diferentes bases onde operam as montadoras, dentre as quais a Grande Curitiba, Grande ABC e o Sul-fluminense.

Na Grande Curitiba, até agora, a conquista da maior PLR do País, de R$ 25,5 mil, concedida pela Renault aos trabalhadores da fábrica de São José dos Pinhais. Na mesma região, os metalúrgicos da Volvo conseguiram PLR de R$ 9,5 mil. No Sul-fluminense o sindicato local já conseguiu negociar com a Nissan uma PLR de R$ 7,5 mil. O movimento abrange também as autopeças.

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Na Mercedes-Benz, a decisão de entrar em greve foi aprovada na manhã desta segunda-feira, 14, em assembleia geral dos trabalhadores da fábrica do ABC Paulista. Sem divulgar números, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que há um impasse em relação ao valor da PLR e também da reposição salarial.

As negociações foram iniciadas em abril e na semana passada, segundo o sindicato, os trabalhadores iniciaram uma série de mobilizações internas com paradas e passeatas pela fábrica.

A Mercedes-Benz confirmou que o movimento paralisou toda a fábrica nesta segunda-feira, mas não quis entrar em detalhes quanto às negociações. Nesta terça-feira, 15, haverá nova assembleia às 7h30, em frente à portaria principal da empresa.

De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos e trabalhador na Mercedes-Benz, Aroaldo Oliveira, as principais reivindicações referem-se à PLR e ao reajuste salarial.

“Reivindicamos que o cálculo da PLR leve em conta a exportação dos itens agregados, como motor, câmbio e eixos”, explica o dirigente. Ele informou ainda que a Mercedes-Benz pretende demitir trabalhadores mensalistas: “Não podemos aceitar demissões num momento de retomada da produção”.

Há divergências também em relação às cláusulas sociais do acordo coletivo, dentre as quais a estabilidade ao trabalhador acidentado e a complementação salarial por até 120 dias de afastamento. “O Sindicato defende a manutenção desses pontos e a inclusão de uma cláusula de salvaguarda contra a reforma trabalhista, garantindo que qualquer alteração prevista na nova legislação só possa ser implantada após negociação com a entidade”, destaca Oliveira.


Foto: Divulgação/SMABC/Edu Guimarães