Por George Guimarães | george@autoindustria.com.br

Em congresso realizado em São Paulo esta semana, a Fenabrave voltou a levantar a bandeira pela renovação de frota, como relata a jornalista Alzira Rodrigues em matéria do AutoIndústria da terça-feira, 7 de agosto.  O objetivo e o ato são antigos. Bota antigos nisso! Essa é, de longe, a mais longa das novelas que os brasileiros já assistiram.

Consta que na década de 60 a telenovela “Redenção”, da há muito tempo finada TV Excelsior, teve 596 capítulos e  durou algo como três anos. É considerada a mais longa da história.

No entanto, o folhetim não teria essa fama caso a busca por um programa que retire carros e caminhões inseguros, poluentes e sem condições de rodar nas ruas e estradas pudesse ser relacionada no mesmo ranking da teledramaturgia.

Lá se vão quase três décadas de tentativas, cobranças, reclamos, campanhas, promessas, projetos e… nada! Isso ainda que governos, indústria, academia, entidades ligadas ao trânsito e meio ambiente — todos simultaneamente — reconheçam a necessidade de se ter alguma solução para um problema que também impacta na conta da saúde, sem mencionar na quantidade de mortos, semelhante à de uma guerra civil por ano.

A última tentativa de o Brasil ter um programa do gênero, em 2016,  envolveu dezenove entidades, inclusive sindicatos de trabalhadores, na elaboração de (mais) um projeto. Mais uma vez não faltaram, na boca de muitos, a expressão “Agora vai!”. Afinal, o próprio governo garantira naqueles dias que, sim!, a renovação de frota entraria em vigor já no ano seguinte.

O programa, calculavam seus idealizadores, poderia representar vendas adicionais anuais da ordem de 500 mil automóveis e comerciais leves e outros 30 mil caminhões, de longe a frota mais carcomida.

Não implicava nenhuma revolução e nada muito diferente do que já se viu e vê em vários países: por meio da concessão de incentivos financeiros, os consumidores trocariam seu veículos velhos e poluentes por outros mais novos, ainda que também usados. Até chegar àqueles que poderiam comprar um zero-quilômetro.

Qual o quê ?!  Tudo na mesma. Nada saiu dos gabinetes ou do papel. A razão para essa recorrente frustração, mais uma vez, é o dinheiro! Quem vai pagar a conta ou a maior parte dela?

Se não se chegou a um bom termo em períodos bem mais auspiciosos do País, o que dirá neste momento de economia anêmica e mercado de veículos que começa a reagir — é verdade —, mas está a meio caminho de onde chegou há alguns anos. Sem falar no caso específico do segmento de caminhões, hoje menos da metade do que já foi.

Tocar novamente no assunto não custa nada, tem seus méritos. O que custa mesmo é obter a resposta de quem, afinal, vai pagar a conta. Enquanto ela não estiver clara para todos, tudo seguirá como numa novela, como quixotescas batalhas e discursos contra moinhos de ventos.


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