Critérios técnicos próprios organizam ranking em 14 categorias; desempenho do mercado em 2026 deve permanecer morno; e avaliação da GWM Poer P30
Embora a competição pelas preferências dos compradores continue bastante acirrada, não houve grandes mudanças na classificação dos modelos mais vendidos no ano passado. Entre todos os segmentos apenas dois sofreram alterações. Compass ultrapassou Corolla Cross, em parte porque a Toyota teve paralisada sua fábrica de motores semidestruída por um vendaval. Quanto à disputa sempre muito apertada entre BMW e Porsche, o X5/X6 superou desta vez o Cayenne por insignificantes 38 unidades.
Outro resultado que chamou atenção foi o equilíbrio entre as picapes médias com capacidade de carga de até 1.000 kg e motor Diesel. Toro manteve a liderança, contudo suas vendas superaram a Hilux por uma diferença de apenas um ponto percentual. Esta é uma categoria altamente disputada com nada menos de 14 modelos convencionais e inclui dois elétricos com presença simbólica (Riddara RD6, 81 unidades emplacadas e Tesla Cybertruck, apenas 23, ambas por importação direta). No total, venderam-se 231.305 unidades no ano passado
Ranking da coluna apresenta critérios próprios e técnicos com classificação por silhuetas em 14 categorias, mais duas que incluem somente híbridos e elétricos. Referência principal é distância entre eixos, além de outros parâmetros. Sedãs de topo (baixo volume) e monovolumes (poucas opções) ficam de fora. Base de pesquisa é o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Citados apenas os modelos de maior representatividade dentro dos segmentos. Compilação de Paulo Garbossa, da consultoria ADK.
Para a Anfavea, a previsão de avanço do mercado interno de veículos leves e pesados em 2026 está praticamente alinhada com a da Fenabrave. Será outro ano morno com as vendas em ascensão de 2,7% sobre 2025 (total de 2,772 milhões de unidades). Poderá haver revisões trimestrais das estimativas e alguns desafios. Um deles é o progresso ainda mais moderado das exportações: apenas 1,3%. A produção terá números também fracos: 3,7% de crescimento.
Um sinal positivo é o fim, agora em 31 de janeiro, das cotas de importações de veículos semidesmontados (SKD) isentos de imposto de importação. Os produtores de autopeças brasileiros ficariam alijados com prejuízos para geração de empregos no País. Anfavea não citou agora qual empresa estaria tentando esticar os prazos para manter importação de carros praticamente prontos (SKD), sem nenhum imposto. Este é um processo produtivo aceitável apenas para baixos volumes e sondagem de mercado, segundo a entidade.
No entanto, é a BYD que defende a extensão deste privilégio inicial, embora tenha feito duas “inaugurações” da sua fábrica em Camaçari (BA). A empresa chinesa não precisa de mais estímulos do que já recebeu (e ainda recebe) com uma linha de produtos competitiva e de boa aceitação. A partir de maio ou junho próximos, promete iniciar a produção efetiva, embora sem prensas no local. Em 2025, importou e estocou milhares de veículos com impostos vigentes muito menores, especialmente elétricos, algo que nenhuma outra marca tinha condições de acompanhar. Costuma-se chamar isso de dumping ou prática comercial predatória.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado agora após 26 anos e com participação de vários governos brasileiros anteriores, poderá abrir novas perspectivas para a indústria automobilística. Possibilitará planejar uma integração produtiva com as marcas europeias, que sempre tiveram forte presença industrial no Brasil. O processo, entretanto, será lento (15 anos), embora bem-vindo. Todavia, ainda enfrenta resistências na UE.
Desafio ainda maior é o chamado imposto seletivo, criado pela recente reforma tributária, que irá atingir as vendas de automóveis. A carga fiscal, historicamente muito elevada, está bastante acima dos padrões internacionais. Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, “falta apenas um ano para o início da cobrança deste novo imposto, o que dificulta o planejamento dos fabricantes”.
Em 2025, esta foi a repartição das vendas: gasolina, 4,5%; elétrico, 3,1% (2,5%, em 2024); híbrido, 4,3%; híbrido plugável, 3,7%; diesel, 10%; flex, 74,4%.
Entre as cinco picapes médias chinesas à venda no Brasil, o modelo da GWM coloca-se em boa posição. É cedo para saber se vai aguentar o tranco no dia a dia das condições de terreno mais difíceis, onde modelos já consagrados com chassi de longarinas, a exemplo da Hilux, já comprovaram eficiência e durabilidade. Isso sem contar a Toro, de construção monobloco, que lidera o segmento com apenas 1 p.p. de vantagem.

Estilo agrada bastante e, em porte, pequena superioridade sobre a japonesa (mm): comprimento, 5.416; entre-eixos, 3.230; largura, 1.947; caçamba, 1.248 L (25% superior à da Hilux); tanque, 78 L. Sua massa também é 25% maior: 2.223 kg. Motor Diesel de 2,4 L, 184 cv e 48,9 kgf·m. Tração 4×4 com reduzida. Câmbio automático de nove marchas melhor que o da rival (três marchas a menos). Consumo padrão Inmetro de 9,5 km/L (urbano) e 10,6 km/L (rodoviário).
No interior, materiais de boa qualidade, volante com comandos nos raios fáceis de usar, grande tela multimídia de 14,6 pol. e conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de carregador de celular por indução. Os dois bancos dianteiros têm comandos elétricos e o assento é basculante no banco traseiro, que oferece muito bom espaço para pernas, cabeças e ombros com as naturais limitações para o passageiro do meio. Destaque para o freio de estacionamento eletromecânico com autoimobilização nas paradas.
Tanto no asfalto quanto fora de estrada sem tantos buracos, a Poer agrada em dirigibilidade e relativo silêncio a bordo graças ao câmbio de nove marchas. Porém, as respostas ao acelerador são inferiores frente à maioria dos concorrentes acima de 200 cv. Para enfrentar pisos irregulares e lombadas falta ainda um pouco de adaptação, mas sem chegar a comprometer no uso diário.
Preço: R$ 240.000.
Foto: Divulgação
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