"Cautela e estabilidade". Assim o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, resume as perspectivas para 2026

O presidente da NTC&Logística, Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, Eduardo Rebuzzi, fala sobre os atuais desafios do setor de transporte no Brasil, revela pesquisa sobre as intenções de compras para o ano e diz que as perspectivas para 2026 indicam cautela e estabilidade. “A tendência é de crescimento moderado na movimentação de carga especialmente se o mercado interno reagir. No entanto, crescimento não significa automaticamente rentabilidade”, destaca o executivo, mostrando as defasagens atuais de frete e as metas de recuperação.
O senhor poderia fazer um pequeno balanço de 2025?
O ano de 2025 foi marcado por estabilidade com pressão de margem. O setor operou com custos relativamente controlados no curto prazo — o combustível fechou o ano praticamente estável (-0,65%) e o custo do veículo variou pouco (0,35%) —, porém a mão de obra acumulou alta relevante (7% no ano e 13,42% em 24 meses). O grande ponto de atenção foi a defasagem média do frete em 10,1%, considerando os Custos NTC como referência. Além disso, o prazo médio de recebimento chegou a 47,6 dias e 7,3% das receitas apresentaram atraso, pressionando o fluxo de caixa. Ou seja: foi um ano de operação intensa, mas com rentabilidade comprimida.
Como foi 2025 para o TRC (Transporte Rodoviário de Cargas)?
Foi um ano regular, porém desafiador. Embora 55,6% das empresas tenham conseguido reajustar o frete (com aumento médio de 6%), esse percentual ainda ficou abaixo da defasagem média apurada. Além disso, 20,8% das empresas aplicaram desconto no frete (média de -5,7%), 40,7% apontaram piora do mercado interno como principal limitação, 28,1% destacaram falta de mão de obra, 88% enfrentaram dificuldade para contratar motoristas e 85% foram impactadas pela reoneração da folha. Portanto, não foi um ano negativo em volume, mas foi um ano difícil em resultado.
O que se espera para 2026 em relação a frete e negócios?
As perspectivas indicam cautela e estabilidade: 57% acreditam que o mercado ficará estável, 29,6% projetam piora e apenas 13,3% apostam em melhora. Há um movimento de renovação de frota planejado por 38,5% das empresas (média de 15,5% da frota), o que demonstra intenção de modernização, mas ainda com postura conservadora, visto que 61,5% não pretendem renovar. Para 2026, o grande desafio será recuperar a defasagem do frete, recompor margens e melhorar o equilíbrio entre custo e receita, especialmente diante do aumento estrutural da mão de obra e dos impactos trabalhistas.
A movimentação de carga tende a crescer? E será rentável?
A tendência é de crescimento moderado na movimentação, especialmente se o mercado interno reagir. No entanto, crescimento não significa automaticamente rentabilidade. Hoje o setor convive com defasagem média de 10,1%, prazo elevado de recebimento, falta de motoristas (com oito veículos parados por empresa, entre as que enfrentam esse problema), pressões trabalhistas e tributárias e dificuldade de acesso a capital.
Se o crescimento vier sem recomposição tarifária adequada, ele pode gerar mais volume, porém com margem comprimida.
O senhor poderia citar os principais desafios para 2026?
Os principais desafios são a recomposição do valor do frete, redução da defasagem frente aos Custos NTC, enfrentamento da escassez de motoristas, melhoria no fluxo de caixa (prazo de recebimento), ambiente econômico interno mais favorável e equilíbrio entre investimento em frota e preservação de caixa.
Nossa conclusão é que o setor de Transporte Rodoviário de Cargas demonstrou resiliência em 2025, mas operou sob forte pressão de margem. Para 2026, o desafio não é apenas crescer em volume, mas crescer com rentabilidade, disciplina tarifária e gestão eficiente de custos.
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