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Hyundai I20 é primeiro modelo de nova família de veículos sem sedã

Airton Cosseau, presidente da montadora, afirma que capacidade produtiva anual de Piracicaba já é de "no minimo" 215 mil veículos

A chegada do I20, terceiro modelo nacional da marca posicionado logo abaixo do Creta e, ao menos no discurso oficial ainda, acima do HB20, não vai alterar, nos próximos meses de 2026, o ritmo de produção na fábrica da Hyundai em Piracicaba, SP, de forma significativa.

O complexo industrial tem trabalhado em três turnos praticamente desde que foi inaugurada, no fim de 2012. De lá para cá, porém, passou por modificações e atualizações tecnológicas importantes, a ponto de ter sua capacidade produtiva ampliada em cerca de 45% desde o projeto original de 150 mil unidades anuais,

Airton Cousseau, presidente da Hyundai no Brasil, afirma que, com a atual estrutura, Piracicaba, pode fabricar “pelo menos 215 mil automóveis a cada ano”. O executivo disseca essa capacidade: “Perto de 75 mil para o Creta e o restante entre HB20 e agora o I20”.

HB20, é bom frisar, com a carroceria hatch, já que a configuração sedã, apresentada no primeiro semestre de 2013, deixou de ser fabricada exatamente para abrir espaço na linha de montagem do interior paulista para o I20.

Não se trata de grande prejuízo, ao contrário. O HB20 S, como o sedã compacto é conhecido comercialmente, representava não mais do que 20% das vendas da marca no mercado brasileiro — em 2025, limitaram-se a 17%, menos da metade dos licenciamentos do hatch e do Creta, líder e vice-líder da marca.r

Segundo Cousseau, o novo veículo não substituirá o pioneio HB20. “Eles conviverão até quando o mercado demandar”, desconversou, quando foi questionado sobre a enorme sobreposição de públicos e preços dos dois modelos.

É, entretanto, um compreensível discurso para não antecipar a morte do hatch, fadada caso a Hyundai mantenha essa política de preços para os dois modelos ou não elimine as versões mais caras do HB20.

Mas o I20 integra o ciclo de investimentos de US$ 1,1 bilhão anunciado pela Hyundai para o Brasil até 2032 e surge como o primeiro membro de uma nova família de produtos — que não terá uma variação sedã — sobre a plataforma K3.

Sem mais possibilidade física de expansão em Piracicaba, é lógico que em algum momento nem tão distante  a Hyundai terá de optar pela aposentadoria da primeira, base do H20 e Creta, mesmo com a alta flexibidade da planta decantada por Cousseau, recorrentemente.

O projeto da K3 nacionalizada tem como uma das premissas a possibilidade de aplicação em veículos a combustão, flex ou não, e também híbridos e elétricos. E não podia ser diferente. Afinal, o novo carro tem missão de não só atender a demanda no Brasil como a de mercados vizinhos.

Ainda este ano, com a aceleração da produção em Piracicaba, o I20 iniciará sua trajetória internacional. Mais precisamente em mercados sul-americanos, a exemplo do que ocorrendo com o HB20 na Colômbia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Com o novo carro, a Hyundai tem potencial, assim, para empreender — e reforçar seu papel regional dentro da estratégia do grupo — um ritmo de embarques bem mais relevante do que desenvolveu ao longo de uma década, quando à exportaçãomodestos 3% do total fabricado no interior de São Paulo.

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No front interno, o I20 também precisar “turbinar” os licenciamentos da marca, agora com sua quarta colocação ameaçada pelo avanço da BYD e por vários novos concorrentes no segmento de compactos e crossovers de entrada, justamente onde o novo carro atuará.

O já veterano HB20 tem acumulados de janeiro a maio 32 mil licenciamentos, caiu para a sexta colocação entre os automóveis de passeio mais vendidos do País. Um ano antes, aparecia na quarta posição, com 30 mil unidades negociadas.

Esse crescimento de menos de 7% dos licenciamentos, entretanto, ficou bem aquém da média do mercado de automóveis, superior a 21%, e do próprio segmento de hatches pequenos, que registrou  avanço de 22%.

Com 80,3 mil unidades entregues ao clientes finais, as vendas da Hyundai também ficaram abaixo da evolução do mercado e a participação recuou 0,2, ponto porcentual, para 7,3%.

A vantagem agora para quinta colocada BYD, que cresceu quase 98%, diminuiu para somente 2,5 mil licenciamentos, também marginal 0,2% .


Foto: Divulgação

 

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Publicado por
George Guimarães

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