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Queiram ou não, os números não mentem

A competição entre os fabricantes de automóveis no Brasil só cresceu na última década, como atestam os números do último quadrimestre

A competição entre os fabricantes de automóveis no Brasil só cresceu na última década,

Por George Guimarães

Por mais que muitos, com justificada parcela de razão, digam que o mercado brasileiro de automóveis carece ainda da oferta de melhores produtos para se aproximar dos países mais evoluídos nesse sentido, é importante destacar o quanto ele mudou especialmente na última década.

A competição entre as montadoras, além de discurso recorrente de seus executivos, é de fato muito – mas muito – superior ao que se via em 2007, por exemplo. O que, com certeza, em paralelo com uma ou outra manobra governamental, como o Inovar-Auto, garantiu alguns avanços tecnológicos e de conteúdo nos veículos de lá para cá.

Uma boa mostra desses cenários tão distintos está estampada nos emplacamentos do mercado interno acumulados no primeiro quadrimestre. Os dez automóveis mais vendidos de janeiro a abril representam nove marcas. Sim, nove marcas em dez modelos!

Apenas a Chevrolet, com o líder Onix e o sedã Prisma, pode se gabar de ter dois veículos nesse ranking. É diversidade difícil de encontrar mesmo nos mercados mais maduros.

Voltemos precisamente dez anos. Está lá nos registros da Fenabrave: os dez modelos mais vendidos no primeiro quadrimestre de 2007 pertenciam somente a quatro marcas. Não por coincidência, as então Big Four do mercado Fiat, Volkswagen General Motors e Ford.

Juntas, elas detinham 82% das vendas internas de automóveis e comerciais leves. Essas mesmas empresas agora têm perto de 53% dos emplacamentos e a Ford já nem é mais a quarta maior – superada que foi pela Hyundai, que em 2007 não aparecia nem entre as dez primeiras.

Outro bom termômetro dessa evolução é que a diferença de participação entre as marcas líderes se dá agora por poucos pontos porcentuais, quando não pela casa decimal depois da vírgula. Mesmo depois de o governo ter dado aquela força e tanto ao quase estancar as importações de veículos, sobretudo asiáticos.

Agora, da líder GM, com participação de 17,7 %, para a sexta colocada Toyota são somente 8,7 pontos porcentuais de vantagem. E entre elas estão Fiat, 13,2%, Volkswagen, 12,7%, Hyundai, 9,4%, e Ford, 9,3%.

Muito próximas – É equilíbrio e proporções que se verificavam na Europa há décadas e que em nada condiziam com o Brasil dos primeiros anos deste século. Em 2007, também depois dos primeiros quatro meses do ano, a Fiat detinha 25% do mercado enquanto a Honda, a sexta colocada, comemorava 3,3% dos negócios, um abismo de 21,7 pontos porcentuais.

O degrau entre a quarta colocada Ford e a quinta Toyota era ainda de expressivos 8,2 pontos: 11,6% contra 3,4%. E o passeio das quatro grandes tinha ainda os 23,5% da Volkswagen e os 21,4% da General Motors, respectivamente na segunda e terceira posições.

Ainda que os veículos nacionais possam – e devam – avançar bem mais no que se refere à segurança, qualidade e eficiência energética, não se pode negar que o jogo, ou melhor, o campeonato agora é outro. Foi-se o tempo em que sabíamos quem cruzaria a linha final primeiro e tal com qual margem.


Foto: Reprodução

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