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Schiemer diz que o Brasil está perdendo o trem do futuro

Presidente da Mercedes-Benz defende necessidade de o País abrir as portas para importações e exportações

O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Phillipp Schiemer, defendeu nesta quarta-feira, 12, a necessidade de o País abrir suas portas tanto para as exportações como para as importações, durante participação no Fórum Estadão Think – Exportar para Gerar Riquezas e Empregos, promovido em parceria com a General Motors na manhã desta quarta-feira, 12, na capital paulista.

“O Brasil está isolado no contexto dos novos desafios mundiais do setor, que envolvem os veículos autônomos, eletrificados e o compartilhamento. Para acompanhar esse movimento são necessários elevados investimentos e acho que não estamos dando a devida atenção ao tema”.

Na sua avaliação, o Brasil está perdendo o trem do futuro e, por isso, precisa abrir suas portas. “Se não tiver acesso às novas tecnologias, a indústria aqui vai morrer”, previu. Ou seja, o País precisa exportar mais para ganhar escala, mas também precisa importar para garantir os avanços tecnológicos em curso globalmente.

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O executivo disse que é preciso fazer alguma coisa de imediato para tirar o País da sua atual situação econômica, marcada pelo desemprego e o receio de se investir localmente. “Estamos no caminho certo ao propor as reformas necessárias, mas falta velocidade”, destacou.

Na sua opinião, os países que têm sucesso são aqueles que têm facilidades tanto para exportar como para importar. “Nunca vi em nenhum outro país um período de cinco anos de recessão como está acontecendo aqui. É preciso fazer algo e rápido. Cheguei no Brasil em 1991 e desde aquela época já se falava em reforma tributária. Se não tem como promovê-la, é necessário fazer uma ponte, adotar medidas transitórias que resolvam os problemas no curto prazo”.

Assim como os presidentes da General Motors, Carlos Zarlenga, e da FCA, Antonio Fiolosa, que também participaram do fórum do Estadão, Schiemer disse que os veículos brasileiros estão hoje em patamar tecnológico similar aos produzidos lá fora. “Se tem um gap, é muito pequeno. As plataformas são mundiais e nesse aspecto estamos bem”.

O presidente da Mercedes-Benz reconheceu, ainda, que as montadoras deixaram o mercado externo um pouco de lado quando o interno estava superaquecido e também comentou não ser bom jogar todas as cartas do baralho num mercado só, como aconteceu em relação à Argentina, o principal parceiro comercial do Brasil.

O fórum promovido pelo Estadão em parceria com a GM teve por objetivo justamente debater fórmulas para incentivar as exportações brasileiras. Todos os participantes concordaram ser grande o potencial do Brasil no sentido de ampliar as vendas externas de veículos.

Segundo Schiemer, são boas as chances da indústria brasileira de emplacar seus produtos em países da África e também em mercados da região que ainda recebem veículos de outras partes do mundo.


Foto: Divulgação/Mercedes-Benz

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Publicado por
Alzira Rodrigues

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