Indústria

Exportar para onde e para quem?

Com os principais mercados da região caindo mais do que o Brasil, embarques de veículos acumulam queda de 41,9% em 2020

As vendas internas de automóveis e veículos pesados recuaram 35% de janeiro a agosto, enquanto na produção o tombo foi ainda maior: queda de 44,8%. Essa sensível diferença próxima de 10 pontos porcentuais entre o que se consome e o que sai das fábricas pode ser creditada quase integralmente às exportações.

Se a pandemia derrubou o mercado brasileiro, fez estrago ainda maior em quase todos os países da América Latina, responsáveis pela imensa maioria dos veículos fabricados aqui e que seguem para o exterior. A queda média esbarra nos 45%.

Na Argentina, maior polo consumidor, as vendas no ano recuaram 39%, muito similar ao que ocorreu na Colômbia (38%). Os negócios no Peru (43%) caíram ainda mais, mas mesmo assim o desempenho do Chile conseguiu ser pior e  as vendas recuaram 48%.

Com empecilhos dessa magnutide nos clientes mais as paralisações da produção durante semanas, naturalmente os despachos diminuíram sensivelmente: nos oito primeiros meses de 2020, passaram pelos portos rumo ao mercado externo 176,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, 41,9% a menos do que em igual período do ano passado.

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→ Renovação da frota: autônomo será o foco do programa.

O resultado é particularmente ruim por ter base comparativa fraquíssima, a pior dos últimos quatro anos, e que acentua a curva decrescente das exportações. Se em 2017 as montadoras enviaram 766 mil veículos para fora, limitaram-se a 629 mil no ano seguinte e a 428 mil em 2019.

Em agosto, foram exportadas somente 28,1 mil unidades, 1 mil a menos que em julho, O melhor resultado mensal de 2020 foi registrado em fevereiro, quando saíram do País 37,7 mil veículos. Prova de que o quadro está muita mais difícil do que qualquer das piores projeções por conta dos dias úteis limitados, fevereiro é historicamente um mês de resultados menos expressivos.

Nem mesmo o segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias, honrosa exceção positiva no mercado brasileiro, com crescimento acumulado de 1,8%, tem escapado da baixa nos embarques.  Ao longo de 2020,  seguiram para outros paísesexatas 5.761 máquinas, contra 8.714 de janeiro a agosto de 2019, 33,9% a menos.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, as exportações das montadoras alcançaram US$ 4,3 bilhões, com queda de 36,4% sobre igual período de 2019. Em agosto, o faturamento com exportações foi de US$ 667,7 milhões, somando automóveis,  veículos pesados e máquinas de construção e rodoviárias.

E, Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, não vislumbra sensível melhora das exportações no curto prazo. Na verdade, ele manifesta preocupação crescente com a falta de penetração dos produtos brasileiros no mercado internacional. No ano passado, com um cenário bem mais favorável, os embarques brasileiros representaram marginal 0,5% das vendas globais de veículos.

O que esperar daqui para frente com, como alerta Moraes, o índice de ociosidade de toda a indústria automobilística mundial muito maior e, assim, com todas as operações das montadoras procurando avidamente novos mercados?


Foto: Divulgação

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Publicado por
George Guimarães

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