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Audi volta a montar veículos no Brasil com kits importados

Versões do Q3 são trazidas desmontadas da Hungria. Empresa investiu R$ 100 milhões para adequar linha.

Um ano e meio depois de encerrar a produção do A3 Sedan, já então seu único produto nacional, a Audi retomou oficialmente nesta quarta-feira, 29, a condição de fabricante local de veículos.  Com direito a verdadeira cerimônia de “reinauguração”, com presença de políticos e autoridades locais e federais, reiniciou as atividades em São José dos Pinhais, PR, para fabricar a nova geração do Q3 nas carrocerias SUV e SUV Sportback

O modelo utilitário esportivo já vinha sendo comercializado aqui nos últimos meses, mas importado da Hungria. A nova geração nacional é idêntica à importada, até nos preços,  mas, de fato, tem muito pouco de nacional. Na verdade, apenas as operações de montagem, já que a planta paranaense recebe os kits húngaros, nos quais até mesmo os pneus já vêm cheios.

Ainda assim, a montadora diz ter investido R$ 100 milhões na readequação da linha para a nova plataforma do utilitário esportivo, além da compra de novos maquinários e estrutura logística.

A interrupção da produção da Audi aqui, no fim de 2020, foi determinada, segundo seus dirigentes à época, pela elevação dos custos e também pela dificuldade da empresa de reaver os créditos tributários gerados pelo programa Inovar-Auto.

A dívida do governo federal era calculada em R$ 287 milhões em IPI, considerando os valores devidos também a outras das marcas premium — BMW e Mercedes-Benz —, mas algo como dois terços devidos à Audi.

Daniel Rojas, presidente da Audi Brasil, admite que a montadora não conseguiu ainda a restituição dos créditos, mas diz confiar que isso ocorrerá brevemente. A retomada da produção, portanto, independeu desse acerto.

O governo conseguiu driblar o impasse, pelo menos momentaneamente, com resolução da Camex, Câmara de Comércio Exterior,  divulgada em fevereiro e que reduziu o Imposto de Importação, o II, para carros trazidos em SKD, sigla para Semi Knock Down, ou seja, semidesmontados, sistema já adotado pela Audi para mercados de volumes reduzidos e que, caso apresente bons resultados, poderá ser replicado para a montagem de outros modelos no Brasil, segundo Rojas.

Contra os 35% de II recolhidos por um automóvel importado pronto, os Q3 semidesmontados pagam 18% —  ou 16% no caso dos totalmente desmontados. O benefício, entretanto, é limitado a um universo de no máximo 4 mil veículos no período de um ano. É exatamente essa, e não por coincidência, a capacidade produtiva de São José dos Pinhais, em dois turnos de trabalho, para as duas variações do Q3.

“Estamos em regime de aceleração de fabricação e chegar a esse número dependerá da própria demanda de mercado”, afirma Rojas, que projeta ter cerca de 200 funcionários quando atingir ritmo pleno no Paraná, contra os cerca de 70 hoje já em atuação, um linha dem ontagem quase que integrlamente manual, para a qual até a carroceria já vem montada e pintada da Europa.

Até o fim do ano devem ser montados perto de 1,5 mil unidades, sendo 70% da carroceria Sportback.  As duas versões contam com motor 2.0 turbo a gasolina de 231 cavalos de potência, câmbio automático de 8 velocidades e, pela primeira vez em um carro da marca montado aqui, a tração integral quatro.

A Audi já produziu no Brasil a geração anterior do SUV de 2016 a 2019, um ano antes de parar com A3 Sedan e do hiato produtivo de 18 meses encerrados nesta quarta-feira. Desde que foi inagurada, em 1999,  a planta de São José dos Pinhais produzir algo como 85 mil veículos, dois terços até 2006, quando  com resultados aquém do desejado e mercado em queda, a empresa decidiu encerrar a fabricação do A3 hatch e a própria operação.

A primeira volta ao País foi definida seis anos depois, motivada pelos incentivos do Inovar-Auto. Para isso, o novo projeto fabril consumiu R$ 500 milhões, recursos que resultaram na produção da primeira geração do Q3 ao longo de três anos e também do A3 Sedan.


Foto:  Divulgação

 

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Publicado por
George Guimarães

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