Betim, Goiana, Porto Real: festa na Stellantis brasileira com nomeação de Filosa.
Atuação no Brasil e na América do Sul foi decisiva na ascensão do executivo italiano que fala português fluentemente
Logo após o anúncio da nomeação de Antonio Filosa para o cargo de CEO global da Stellantis, a movimentação nas fábricas brasileiras da empresa foi grande na manhã desta quarta-feira, 28. “Betim em festa” foi um dos comentários feito por alguém que trabalhou próximo ao executivo na fábrica mineira, nos diferentes períodos em que ele esteve no Brasil.
Uma festa que se estendeu às demais fábricas do grupo no País – Goiana, PE, e Porto Real, no sul fluminense -, visto que o executivo teve importância determinante na construção do complexo pernambucano, inicialmente da Jeep, e no reposicionamento das marcas francesas produzidas na unidade do Rio de Janeiro.
Com 51 anos, dos quais mais de 25 dedicados à indústria automotiva, o executivo italiano nascido em Nápoles, casado com uma brasileira e com dois filhos aqui nascidos, iniciou carreira na Fiat em 1999 e, desde então, esteve ligado à companhia que, em 2021, tornou-se a gigante Stellantis, reunindo FCA, Fiat Chrysler Automotive, e PSA, Peugeot Citroën.
Fluente em inglês e português, o executivo considerado ítalo-brasileiro ganhou força mundial justamente a partir da sua atuação na América do Sul, iniciada no Brasil em 2006, época em que atuou como diretor da fábrica de Betim e na sequência chefe de compras da região da América Latina, cargo que o evolveu profissional e pessoalmente no processo de construção da fábrica pernambucana.
Em 2016 assumiu a operação argentina da então FCA e, dois anos depois, em 2018, retornou ao Brasil com o cargo de COO da América Latina da FCA. Em 2021 foi nomeado COO South America da recém-criada Stellantis, quando ganhou ainda mais força no contexto mundial da conglomerado automotivo.
Sua ligação com o Brasil envolve não apenas o profissional e o pessoal, mas também a área da educação. Com mestrado em engenharia pelo Politécnico de Milão (Itália), Filosa fez MBA Executivo em Administração de Empresas pela Fundação Dom Cabral, no Brasil.
Em momento que marcou o seu carisma junto aos colaboradores brasileiros da Stellantis, Filosa recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Polo Automotivo de Goiana em junho de 2023 (foto acima). Como diretor de compras, ele acompanhou de perto a construção da então fábrica da Jeep em Pernambuco, em região na qual havia apenas canaviais.
Por ocasião da visita, o presidente Lula parabenizou Filosa:
“Hoje eu vim aqui e fiquei boquiaberto com o que vocês conseguiram fazer no interior do país. Isso me lembra o crescimento do ABC (região industrial de São Paulo) nos anos 1950 e nos anos 1960. Se depender do nosso governo, essa fábrica vai continuar crescendo. Pernambuco vai continuar crescendo, o Brasil vai continuar crescendo.”
Importante destacar que hoje o Brasil é o primeiro mercado da marca Jeep fora dos Estados Unidos e o que mais vende produtos Fiat em todo o mundo.
Filosa só deixou o Brasil quatro meses após aquele encontro com Lula, mais exatamente em outubro de 2023, por ter sido promovido a CEO global da marca Jeep. Em janeiro deste ano suas responsabilidade foram ampliadas ao acumular o cargo de COO das Américas (Norte e Sul) e Chief Quality Officer.
E nesta quarta-feira, 28, veio a notícia que o mundo automotivo já vislumbrava frente à trajetória de sucesso do executivo ítalo-brasileiro.
Por unanimidade, e após um rigoroso processo de seleção de candidatos internos e externos, o Conselho de Administração da Stellantis nomeou Antonio Filosa como novo Chief Executive Officer (CEO), cargo que assumirá oficialmente no próximo dia 23 de junho.
O desafio certamente é grande. A Stellantis tem sob seu chapéu total de 14 marcas, atuando em todos os continentes. Nesse contexto, a Ásia/Pacífico, incluindo China e Índia, deve merecer atenção especial da nova gestão pela necessidade de recuperar faturamento e retomar lucro, justamente as principais conquistas de Filosa quando esteve no comando das operações no Brasil e da América do Sul.
Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo, iniciou a cobertura do setor automotivo em 1981 na Sucursal do ABC de O Estado de S. Paulo. Manteve-se na área desde então, passando por outros jornais e também revistas e sites.