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Após quase 30 anos, Código de Trânsito começa a ser atualizado

Próximas audiências públicas analisarão 270 propostas; a promessa da Changan de estrear carro com bateria em estado sólido; o investimento da BYD em centro de teste no Rio de Janeiro; e os bons atributos do Leapmotor C10 EREV

Desde dezembro último as novidades aparecem. Passou a se exigir realização do exame toxicológico de larga janela de detecção para quem deseja obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias de carros e motos. Antes só se enquadravam motoristas profissionais. Extinguiu-se a eliminatória prova de baliza, embora o candidato precise saber estacionar o carro ao final do exame. Deixar o veículo “morrer” não reprova mais e câmbio automático pode ser usado. Porém, a CNH teria uma observação que o motorista não poderia guiar veículos com câmbio manual.

Na quarta-feira, 18 de março, a primeira de quatro audiências públicas (a última em 15 de abril) iniciará a análise de 270 propostas sobre mobilidade e segurança viária que alteram o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Há muitas sugestões como redução de 18 para 16 anos a idade mínima para obtenção da CNH, como ocorre em outros países (não todos). O problema também é jurídico e inclui o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Segundo a Agência Câmara de Notícias, representantes de autoescolas e especialistas criticam a precarização do ensino para o trânsito, que com as recentes mudanças “coloca nas ruas condutores inaptos”. Trata-se de tema que merece atenção. Claro, havia exagero na obrigação de um número fixo de aulas em autoescolas que encarecia o processo e desconsiderava as habilidades naturais de cada candidato. Já a demagogia governamental da “CNH para todos” beira a pura irresponsabilidade. Uma premissa esfarrapada de que há 20 milhões que guiam sem documentos baseada em uma frota circulante “oficial” que não existe, pois veículos mais antigos são abandonados sem a devida baixa documental.

Há, todavia, uma proposta que pode dar fim a uma situação atual claramente injusta. O comprador de um carro usado é penalizado com a transferência automática de multas por infrações do proprietário anterior e que ainda não constavam no sistema no momento da venda. O deputado Hugo Maia (PSD-RJ) propõe que a cobrança se vincule ao CPF ou CNPJ do antigo proprietário. Além disso, a existência desses débitos antigos não impediria que o novo dono consiga emitir o Certificado de Registro de Veículo (CRV) ou o licenciamento anual.

Maia também propôs a volta do seguro obrigatório (antigo DPVAT) para amparar as vítimas de trânsito. Tenho uma sugestão: se o proprietário do veículo comprovar que contratou este seguro por conta própria, não teria por que ser obrigado a pagar de novo o sucessor do DPVAT, como acontecia antes.

 

Changan estreará bateria de estado sólido

Muito se falou da evolução das atuais baterias e vários fabricantes estão empenhados em antecipar as de estado sólido. A Changan havia dado um passo preliminar à frente. O estreante Nevo A06, primeiro modelo com baterias de íons de sódio, da também chinesa CATL, substitui as atuais de íons de lítio, cobalto e níquel. Há duas vantagens: preço e maior estabilidade térmica. Mas com densidade energética menor.

Tecnologia de estado sólido, no entanto, deve realmente mudar o cenário. Previsões indicavam lançamentos a partir de 2030. A Changan surpreendeu ao anunciar para o começo de 2027 o primeiro modelo (não revelado) com este tipo de bateria. Preço é elevado, todavia bem mais segura porque eletrólito sólido elimina vazamentos. Fica muito difícil combater incêndio em baterias convencionais de lítio, mesmo não envolvidas em colisões.

As de estado sólido apresentam maior densidade de energia, carregamento mais rápido e maior vida útil. A Donut Lab, estreante finlandesa fundada em 2024, apresentou uma bateria desse tipo pronta para lançamento. Muitos especialistas afirmam que números, gráficos e configurações de teste daquela empresa não resistem a uma análise básica. Companhias de renome, a exemplo de Toyota, QuantumScape, CATL e Samsung, evidenciam cautela e transparência em relação aos seus cronogramas.

 

BYD investirá R$ 300 milhões no Rio de Janeiro

 Esse passo adiante na estratégia de crescer no Brasil e, no futuro, exportar para a América Latina consolida-se por meio de um novo investimento. A marca chinesa decidiu diversificar, sem se concentrar apenas em Camaçari (BA). O centro de testes e avaliação automobilística será construído na Ilha do Governador, onde se situa o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, também conhecido como Galeão.

Serão investidos R$ 300 milhões em uma área total de 184 mil m². As obras começarão no fim deste ano com previsão de inaugurar em 2028. Stella Li, vice-presidente Executiva Global e CEO da BYD Américas e Europa, mais uma vez veio ao País. Ela destacou que, além de pesquisa e desenvolvimento na capital fluminense, o centro terá condições de testar e preparar a homologação oficial de todos os produtos da marca desde automóveis a comerciais leves. Não adiantou pormenores como suporte aos motores flex que devem estar nos planos, ao lado dos motores a gasolina e elétricos.

Haverá pistas de vários tipos, inclusive sem pavimentação asfáltica e com paralelepípedos. Também piscina de testes de vedação que reproduzem alagamentos (infelizmente tão comuns). Ter instalações desse tipo certamente promoverá antecipação de lançamentos pela adequação mais ágil às várias condições de uso no Brasil.

Trata-se de uma vantagem sobre concorrentes, inclusive chineses, que não param de chegar e ampliam a oferta de modelos como o MG 4X, da arquirrival SAIC, segunda em vendas no país da Ásia Oriental. Já a GAC acaba de confirmar acordo de produção em Catalão (GO), nas mesmas instalações da empresa brasileira HPE que monta picapes (L200 Triton) e SUVs (Eclipse Cross) da Mitsubishi.

 

Leapmotor C10 EREV: elétrico sem estresse

Elétrico de alcance estendido ou híbrido em série, este classificado pela SAE? Estranho a SAE (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade) enquadrar um modelo que só se movimenta por meio de um motor elétrico e o motor a combustão serve apenas para acionar um gerador que carrega a bateria. Aliás, não se trata de novidade porque o BMW i3 REx, lançado aqui em 2014, já se enquadrava como EREV (Veículo Elétrico de Alcance Estendido, na sigla em inglês). O C10 EREV ainda possibilita recarregar a bateria numa tomada. Leapmotor (49%) e Stellantis (51%) são sócias e a fim de atender a legislação brasileira acabaram optando pelo termo ultra-híbrido. Modelos da marca chinesa terão produção nacional.

Dimensões (mm): comprimento, 4.739; entre-eixos, 2.825; largura, 1.900; altura, 1.680. Volumes (L): porta-malas, 435; tanque, 50. Massa: 1.976 kg. Motor elétrico traseiro: 215 cv; 32,6 kgf·m. Motor-gerador dianteiro, 4-cilindros 1,5 L, 88 cv, 12,7 kgf·m. Consumo (km/L, Inmetro): cidade, 12; estrada, 12,9. Alcance (km): motor-gerador, 600 e elétrico, 111. Tração traseira.

Flexibilidade no uso em cidade ou estrada, independentemente de existir onde recarregar, é um trunfo, sem outros concorrentes (por enquanto) e a preço razoável. Um SUV completo: sete airbags (um deles central), teto solar panorâmico, grande tela multimídia de 14,6 pol. e materiais de acabamentos muito bons. Traz algumas complicações porque quase tudo deve ser ajustado pela tela, inclusive comandos do ar-condicionado. Regulagem dos espelhos laterais não estão na porta do motorista e sim nos raios do volante. Espaço interno destaca-se tanto na frente quanto para os três passageiros do banco traseiro (assoalho plano).

Suspensões (multibraço atrás) lidam bem com as quase duas toneladas de massa, porém exigem mais atenção em piso irregular em razão do centro de gravidade alto de todo SUV. Direção bem calibrada e freios dimensionados corretamente, sem alterações sensíveis de perda de eficiência quando exigidos.

Preço: R$ 219.990.


Fotos: Divulgação BYD/

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Publicado por
Fernando Calmon

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