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Consumidores ainda precisam “descobrir” o Renault Boreal

Enxurrada de lançamentos pulveriza vendas de SUVs médios

Se a profusão de lançamentos de utilitários esportivos nos últimos meses ampliou, e muito, as opções de compra, por outro lado coloca dúvidas e mais dúvidas na cabeça dos clientes no momento de escolher entre um ou outro modelo, tecnologia ou marca. E limita as vendas de cada um deles a patamares bem mais baixos do que as fabricantes gostariam.

O segmento de SUVs médios, em particular, tem evidenciado essa pulverização com recente avalanche de apresentações. “Latifúndio” do Compass há praticamente uma década, a categoria segue com o modelo da Jeep à frente das vendas, mas é notório o maior esforço para se manter lá.

No primeiro bimestre, o Compass acumulou menos de 8,7 mil emplacamentos, queda de quase 1% diante de 8,7% de crescimento do mercado de utilitários esportivos.

O Toyota Corolla Cross, segundo colocado entre os médios há um ano, viu suas vendas encolherem perto de 30%, para somente 5,1 mil. É tombo dolorido, ainda que seja preciso ponderar as dificuldades produtivas da Toyota do fim do ano passado e, por conta disso, redução da oferta neste início de ano.

Na mesma comparação, em compensação, os licenciamentos do BYD Song subiram 28%, para 7,5 mil, o que lhe garante a segunda colocação, s eguido de perto pelo GWM Haval H6 —também nacionalizado em 2025, assim como o Song —, que acumulou quase 5,9 mil unidades negociadas, um salto de 48%!

Isso apenas para ficar em parte restrita da lista dos modelos que estavam nas revendas nos dois períodos. Mas o segmento ganhou muitos outros desde meados do ano passado, sejam flex, híbridos ou elétricos. Muito importados, mas também nacionais.

Vários chegaram às lojas há poucas semanas e outros acumulam licenciamentos de menos de um semestre, com direito a férias coletivas e redução da produção por conta disso.

É o caso, por exemplo, do Boreal. O mais sofisticado modelo já produzido pela Renault no Brasil começou a ser vendido em outubro, ainda em regime de pré-venda. Desde então, até fevereiro, foram entregues aos consumidores finais perto de 3,5 mil unidades apenas.

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Pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que a Renault interrompeu as atividades em São José dos Pinhais, PR, por cinco semanas no início deste ano para adequar a linha de montagem para o híbrido EX5, também um SUV da Geely, processo já em fase experimental.

Com esse ainda diminuto universo de representantes nas ruas, o Boreal chama a atenção por onde passa ou mesmo estacionado. AutoIndústria teve a oportunidade de rodar uma semana com o SUV e constatou que se trata, ainda, de ilustre desconhecido que atrai curiosidade e gera surpesa quando revelado como um veículo brasileiro.

Com espaço generoso para cinco ocupantes e também para bagagens no ótimo porta-malas, tem o mesmo conjunto mecânico de motor 1.3 turbo flex de 163 cv e câmbio automático nas versões Evolution, Techno e que custam, respectivamente, a partir de R$ 180 mil, R$ 200 mil.

Também na topo de linha Iconic, com preço de R$ 217 mil, e que não dispõe de opcionais. Não para menos, afinal a lista de itens de série é para lá de farta nessa opção.

Para não ser cansativo, inclui 24 sistemas de auxílio à condução, teto solar panorâmico, cinco modos de condução, ajustes elétricos e massageadores nos bancos dianteiros, abertura do porta-malas elétrica, assistente de estacionamento semi-autônomo, comutação automática dos faróis e por aí vai.

Estilo e beleza? São sempre aspectos subjetivos, mas, a julgar pelos muitos olhares, não passam despercebidos, o que, em princípio, significa personalidade e diferenciação do muito que está aí.

Pelo espaço, desempenho, tecnologia e acabamento, o Boreal — é fácil assegurar — fica entre as melhores opções da longa lista de concorrentes do segmento. E também, caso a falta de eletrificação não seja é um fator excludente para o consumidor, pela relação custo-benefício.

E, mais ainda, esse pacote de virtudes pode garantir vendas bem maiores do que a média de pouco mais de 1 mil unidades mensais registradas até aqui e incomodar os líderes.

Desde que, claro, o consumidor seja levado às revendas da Renault antes que se perca no redemoinho de novidades que o assolam a cada nova semana.


Foto: Divulgação

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Publicado por
George Guimarães

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