Plano prevê 60 lançamentos até 2030; Chevrolet Onix movido somente a etanol está para chegar; impressões na pista do Porsche 911 Turbo S; avaliação do Volvo EX30 Ultra; e feira paulista de personalização de carro aponta tendência.

Primeiro plano quinquenal apresentado pelo CEO Antonio Filosa, que comandou a empresa no Brasil entre 2021 e 2025, prevê mudanças profundas em relação ao antecessor Carlos Tavares. Agora a empresa vai acelerar os cronogramas de lançamentos de 60 novos modelos até 2030 com motores a combustão, híbridos e elétricos, além de resolver o problema de excesso de capacidade industrial que afeta quase todas as indústrias de veículos ao redor do mundo.
A estratégia é cortar desperdícios pela simplificação de plataformas e ampliar as parcerias de produção compartilhada com as chinesas Leapmotor e Dongfeng, a indiana Tata Motors e a inglesa Jaguar Land Rover. Somente na Europa, o grupo franco-ítalo-germano-americano registra capacidade ociosa de 800.000 unidades anuais e algumas unidades fabris poderão ser fechadas. Nos EUA também há planos de diminuir ociosidade das fábricas.
Filosa frisou que as parcerias vão otimizar o uso de capacidades produtivas já existentes, melhorar a competividade em compras de autopeças e componentes eletrônicos, compartilhar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de acessar mercados em que a participação do conglomerado de marcas ainda pode crescer.
Na América do Sul, a empresa dirigida pelo brasileiro Herlander Zola tem posições de liderança no Brasil e na Argentina, mas pretende aumentar as vendas em 10% até 2030. Além do novo compacto Argo, serão renovadas as picapes Strada, Toro e Rampage e lançamento do SUV compacto Avenger.
A volta do combustível vegetal foi antecipada pelo site Webmotors com base em informações de concessionárias. Silêncio da GM indica que o lançamento acontecerá mesmo nas próximas semanas e incluirá também o sedã Onix Plus Eco. Desde 2006 não saíram mais das linhas de montagem motores projetados para consumir apenas etanol. Isso ocorreu porque os motores flex surgiram em 2003 e se expandiram rapidamente em razão da escolha do motorista pelo menor custo/km que, entretanto, varia em função dos ciclos agrícolas de produção de cana. Etanol hidratado é competitivo quando custa 23% menos que a gasolina comum atual com 30% de etanol anidro.
A marca americana percebeu logo que o Governo Federal havia concedido um estímulo fiscal para motores exclusivamente a etanol por meio do programa Mover e aproveitou o fato de que seus motores de versões de entrada utilizam injeção indireta de combustível e, portanto, menor custo de produção. Isso permitiu alcançar preços bastante competitivos de R$ 103.990 para o hatch e de R$ 106.990 para o sedã. Ambos incluem câmbio automático de seis marchas e se tornam especialmente atraentes para automóveis usados por taxistas e motoristas de aplicativos como Uber e 99. Estes não precisam de SUVs que estão na moda, contudo mais caros.
Resta saber se outros fabricantes também aproveitarão a oportunidade ou se, por razões de custos de produção e pelo fato de que o preço do etanol não ser tão competitivo fora dos Estados produtores do combustível vegetal ao longo do ano todo, deixarão os dois modelos da GM sem concorrentes.
Sempre houve expectativa sobre como a Porsche iria abordar a era da hibridização. A resposta veio com o 992.2 Turbo S T-Hybrid. Não se trata de um híbrido convencional e a fabricante alemã tem suas razões. Para começar, a cilindrada diminuiu de 3,8 L (992.1) para 3,6 L e a potência subiu para nada menos que 711 cv (o mais potente até hoje). Torque passou a impressionantes 81,6 kgf·m. Agora são dois turbos elétricos (antes só um) compactos e leves. Existe também um terceiro motor elétrico de 82 cv e 19,2 kgf·m entre o motor e a caixa de câmbio automática de duas embreagens (PDK). Acrescentada ainda uma pequena bateria arrefecida a água, na parte dianteira, de 1,9 kW⋅h.
Uma mudança foi a redução inédita da velocidade máxima de 330 km/h para 320 km/h, pois obrigaria a aumentar a pressão dos pneus e diminuir conforto de marcha. O novo Turbo S renovou o recorde de volta em Nürburgring (circuito norte de 20,8 km) por 14 s menos mesmo com 85 kg extras. Sistema elétrico de 400 V não chega a poupar combustível e sim aumenta o controle dinâmico de chassi. Coeficiente aerodinâmico foi reduzido em 10%.
Primeiro contato ao volante, no Autódromo Velocitta (Mogi Guaçu – SP), superou expectativas. Uma pista com retas curtas, bastante exigente para os freios e curvas desafiadoras. Para começar, a aceleração impressiona: 0 a 100 km/h em 2,5 s e, acredite, um décimo de segundo mais rápido que um F-1. Capacidade de frenagem supera, praticamente, todos os outros carros esporte: de 100 km/h a zero entre 29 m e 31 m, na média das revistas especializadas. Comportamento neutro nas curvas é outra característica que salta aos olhos, além da sonoridade ímpar do escapamento.
Ferry Porsche costuma dizer que “o melhor Porsche é sempre o próximo”. Não há por que duvidar.
O modelo elétrico da Volvo destaca-se, logo de início, pela exuberância do desempenho. Era de se esperar, pois os dois motores somam 428 cv, além do torque combinado chegar a 55 kgf·m. Apesar de ser um SUV, sua altura não está muito distante de um hatch, mas o estilo é uma das suas qualidades tanto visto de frente, quanto de trás e de perfil.
Dimensões (mm): comprimento, 4.310; entre-eixos, 2.620; largura, 1.770; altura, 1.655. Volumes (L): porta-malas, 391 (dianteiro, 7); Massa: 1.850 kg. Bateria (kW⋅h): 69. Motores elétricos: potência, 272 cv (traseiro) e 156 (dianteiro); torque, 35 kgf·m (traseiro) e 20 kgf·m (dianteiro). Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 403/371. Tração 4×4 sob demanda. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 3,6.
A chave tipo cartão não é tão prática para carregar (fácil de perder) e abrir as portas. Ainda precisa ser colocada sobre o carregador por indução para energizar os motores. Sem quadro de instrumentos, fica tudo concentrado na tela multimídia vertical de 12,3 pol. Para ler a velocidade tem que desviar o olhar. Regulagem dos espelhos laterais e abrir a tampa do porta-luvas, tudo pela tela (“invenção” da Tesla). Espaço para pernas e cabeças no banco traseiro não é tão bom, inclusive pelo assoalho alto em razão da bateria.
Pelo desempenho oferecido as suspensões poderiam ser um pouco mais firmes, embora sem comprometer. Em rodovias, principalmente, o sol incomoda porque o teto transparente não possui cortina. Está presente todo o pacote de sistemas avançados de assistência ao motorista de segurança (Adas, na sigla em inglês), tradição da marca sueca, controlada pela chinesa Geely desde 2010. Sistema de manutenção na faixa de rodagem funciona de forma discreta.
Preço: R$ 309.950.
Com o nome sugestivo de Detail Land, a feira realizada no último fim de semana mostrou que há um mercado crescente desta atividade. O evento foi inteiramente dedicado às novidades e tecnologias de estética para veículos. A ideia surgiu em Jundiaí, a 55 km da capital paulista, por iniciativa do empresário Cláudio Rossoni. Depois de quatro edições anuais, migrou para São Paulo e em dois dias atraiu cerca de 22.000 pessoas.
No total, contou com 53 expositores e 65 marcas dedicadas à personalização, envelopamento de carrocerias, cuidados com pintura e acessórios específicos fora do convencional. Ou seja, concentração nos detalhes que atraem cada vez mais interessados, a exemplo do que ocorre no exterior. Na próxima edição, em maio de 2027, a área de exposição vai dobrar de 6.000 para 12.000 m2.
Fotos: Divulgação
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