Em evento com fornecedores, presidente da VW Brasil mostra estudo sobre redução média dos valores cobrados no segmento

Com estoques altamente elevados em função das importações efetuadas nos últimos meses, principalmente pelas marcas chinesas, o setor automotivo brasileiro enfrenta inevitáveis reduções nos preços dos veículos e nas margens das montadoras.
Durante o VW The One, que premia seus melhores fornecedores, a Volkswagen mostrou que a marca vem conseguindo ampliar sua participação local apesar dos chineses, mas enfatizou a necessidade da cadeia automotiva se reinventar para sobreviver aos desafios impostos pela chegada de 11 novas marcas do país asiático ao Brasil.
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Participaram do evento o chairman da América do Sul, Alexander Seitz, o VP de Compras, Luiz Alvarez, e o presidente da empresa no Brasil, Ciro Possobom, a quem coube mostrar os números positivos da marca no mercado brasileiro e o que é preciso fazer para mantê-los a partir de agora.
Após apresentar quadro com número dos estoques de carros no País — 498 mil no total, dos quais 169 mil nacionais e expressivos 329 mil importados, a maioria chineses —, revelou a queda média nos preços praticados internamente em função do evidente excesso de oferta de produtos.
Citou especificamente o segmento de SUVs, o mais concorrido: redução de R$ 121 mil para R$ 116,5 mil (menos 3,5%) no caso dos modelos até R$ 130 mil, de R$ 150,5 mil para R$ 136,5 mil para os que custam até R$ 160 mil (menos 9,3%) e de R$ 185,2 mil para R$ 184 mil nos SUVs até R$ 190 mil (menos 5,8%).
Os índices podem até parecer pequenos, mas o rombo considerando os volumes de venda é significativo em termos de redução de margem e, principalmente, de capacidade de investimento. Importante deixar claro, inclusive, que a redução citada é uma média, ou seja, em alguns modelos pode ser bem mais alta.
“Olha a diferença nos modelos até R$ 160 mil. É de R$ 14 mil por unidade”, destacou Possobom, deixando claro o que isso significa em perda de rentabilidade para as montadoras instaladas no País.
Na sequência, mostrou as ações necessárias para mudar o cenário atual: redução estrutural dos custos, aumento da produtividade e receita, simplificação radical dos processos e IA, mais velocidade de execução, atualização de tecnologias, redução de ineficiências e desenvolvimento de talentos.
Chinesas na vice-liderança
Outro destaque na apresentação de Possobom foi a participação das marcas aqui instaladas ao longo dos últimos seis anos. A Volkswagen era terceira colocada em 2020, atrás da Fiat e GM. Na época, seu market share era de 14,5% e a participação dos chinesas era de insignificante 1,1%.
Em janeiro deste ano, a Volkswagen atingiu market share de 16,4%, índice 1,9 ponto porcentual acima do registrado há seis anos, cravando a vice-liderança como marca no mercado brasileiro (veja quadro abaixo).
Só que as chinesas, no período, ampliaram fatia de mercado para 17,3%, ou seja, as marcas do país asiático, em conjunto, aparecem entre a lider e a vice-líder no ranking de vendas de veículos leves. “Um cenário difícil para a indústria nacional”, como enfatizou Possobom em sua apresentação.
Tudo isso colocado pela Volkswagen em evento realizado antes do governo renovar por seis meses a cota com alíquota de importação zerada para unidades CKD e SKD, o que vem gerando fortes críticas por parte das entidades que representam empresas que produzem localmente, caso da Anfavea e Sindipeças, entre outras.
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