Picape híbrida teve somente 1,8 mil unidades licenciadas em quase dois anos

Não há duvida de que a BYD é um sucesso de vendas no mercado brasileiro. A marca chinesa conseguiu, em apenas quatro anos, participação almejada por montadoras tradicionais que há três décadas têm produção local.
Mas, além de colher seguidos recordes de licenciamentos e liderança em elétricos e em um ou outro segmento, a BYD tem, sim, um grande tropeço de mercado. Da mais de uma dúzia de modelos e variações elétricas e híbridas lançados desde 2022, a picape Shark não disse ao que veio até agora.
Lançada em 2024, vendeu somente 373 unidades no primeiro semestre. Esse número, em si, já seria alvo de curiosidade, de tão diminuto. Mas chama ainda mais a atenção quando se sabe que em igual período do ano passado o modelo somou 623 emplacamentos.
Essa queda de 40% acontece em segmento que, de acordo com a Fenabrave, reúne concorrentes de mesmo porte, maiores e menores do que o da Shark e que oscilou positivamente 2% na mesma comparação.
Sinal de que a representante da BYD — e não seu segmento — não fez crescer os olhos de clientes que hoje se dividem entre produtos com aplicações urbanas e rurais.
E foi objetivando especialmente consumidores do agronegócio que a BYD desenvolveu toda a estatégia de lançamento, tanta que escolheu Goiania, GO, aclamada capital do agro, como palco para seu lançamento, com direito a show de dupla sertaneja, muitos chapéus e botas.
Basta desprentenciosa observação em ruas e estradas de cidades do interior e estados com economia centrada no segmento agrícola para saber que Toyota Hilux, Ford Ranger e S10 são predominantes.
E até mesmo a ainda novata RAM, com produtos até mais caros e luxuosos, e a também chinesa GWM Poer, recém-chegada, já cumprem papel bem mais destacado do que o modelo da BYD nas vendas.
Todas, porém, guardam algo em comum: motor a diesel. Diferente da Shark, que foi lançada e ainda mantém versão única com motorização híbrida plug-in a gasolina, com 437 cavalos.
As vendas médias de 60 unidades por mês no primeiro semestre são provas mais do que suficientes de que essa tecnologia ainda está distante da preferência de quem trafega por fazendas e mesmo fora delas. Assim como o salgado preço, de R$ 380 mil no lançamento e que hoje está em R$ 345 mil, segundo o site da marca.
Para ficar apenas entre as chinesas, a GWM Poer tem preços a partir de R$ 245 mil, ou seja, R$ 100 mil ou um carro de entrada a menos.
Mas cale também a comparação com a líder entre as picapes capazes de carregar perto de 1 tonelada — contra os 790 quilos da Shark. A Toyota Hilux, que vendeu 23,3 mil unidades de janeiro a junho, parte de R$ 310 mil e chega a R$ 358 mil, o que mostra que preço não é o problema para as picapes a diesel.
Além da redução de 10% do valor pedido inicialmente, a BYD ainda não manifestou, pelo menos publicamente, qualquer mudança na estratégia comercial da Shark para 2026. Até porque não tem na prateleira, para pronta-entrega, outras motorizações e, em especial, a diesel, tão apreciada pelo agro brasileiro.
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A marca, ao que tudo indica, vê na Mako, picape menor a ser produzida em Camaçari, BA, e lançada neste segundo semestre para concorrer com a Fiat Toro ou a futura Renault Niagara, a alternativa mais imediata para ter alguma relevância entre as picapes vendidas aqui.
Mas estaria em curso plano para a América do Sul, algo ainda não confirmado, de portfólio bem mais amplo de picapes, com modelos maior e bem menor do que a Shark.
Faz sentido, de qualquer modo. Afinal a BYD canta ao quatro ventos que pretende estar na ponta das vendas até o fim desta década e as picapes, considerando as compactas, representam 19% do mercado interno de veículos leves, 10,5% apenas se consideradas as médias e grandes. Não da para ignorar.
Foto: Divulgação
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