Ante estimativa de queda de 40% na venda de carros por causa da Covid, concessionários já prevêem retração menor, abaixo de 30%

Com retomada das vendas dos veículos acima de qualquer estimativa feita no início da pandemia da Covid-19 no País em meados de março, entidades e empresas estão revendo projeções feitas naquela época e revertendo posição de grande pessimismo para um otimismo cauteloso face aos números atuais.
A Fenabrave já reviu para um índice menor a perspectiva da queda do mercado interno este ano e nesta quarta-feira, 7, também a Anfavea divulgará novas metas para 2020, certamente em porcentual menor do que os 40% estimados em meados do primeiro semestre.
No acumulado até setembro o recuo é de 32,3% e está havendo falta de produtos no varejo, desde lançamentos, como a Fiat Strada, até caminhões extrapesados. No começo do mês passado, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, já havia prometido para outubro a revisão das projeções. Mas na época não quis admitir que o índice de queda tendia a ser menor do que o esperado.
A Fenabrave não chegou a divulgar projeção de retração quando a pandemia se instalou no País, mas dirigentes da distribuição estimavam porcentual similar aos 40% previstos pelas montadoras. Na sexta-feira, 2, a entidade que representa os concessionários de veículos revisou as metas, estimando quedas de 29,4% no segmento de automóveis e comerciais leves, de 14,9% nos emplacamentos de caminhões e de 33,1% no caso dos ônibus.
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Quando divulgou o balanço de setembro, a Fenabrave admitiu que o segmento de caminhões continua enfrentando um gargalo na produção e teve queda de 8,3% nas vendas no comparativo de setembro com agosto por causa da falta de produto.
“O mercado de caminhões continua com uma forte demanda, em todos os seus subsegmentos, e não foi melhor pelos problemas gerados na produção, causados, ainda, pela falta de componentes e pela baixa capacidade de produção nos seus principais fornecedores”, comentou Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave.
Segundo o empresário, o desempenho positivo nos pesados reflete maior oferta de crédito, com a manutenção de taxas abaixo de 1% e aprovação de 8 para cada 10 solicitações. “Com isso, vem crescendo o número de pedidos para 2021”, adiantou Assumpção Júnior.
Com relação ao mercado de automóveis, o presidente da Fenabrave atribuiu a demanda crescente que se verifica desde julho à manutenção da taxa Selic em níveis baixos, à queda de inadimplência e à consequente melhora na aprovação de crédito.
“A procura maior também está atrelada à própria pandemia, que tem feito as pessoas optarem pelo transporte individual, ao invés do coletivo”, explica Assumpção Jr.
Foto: Pixabay
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