Indústria

Com ações de Trump e sem regras do Mover, montadoras postergam investimentos

É o que garante o presidente da Anfavea ao falar dos impactos da imprevisibilidade no setor

A postergação de investimentos por parte das montadoras brasileiras, que até então era uma ameaça, agora já é realidade. Ao menos foi o que garantiu o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, nesta terça-feira, 8, em sua última entrevista à frente da entidade que representa as montadoras.

O problema, segundo ele, é a imprevisibilidade causada por vários fatores, dentre eles a não divulgação até agora de regras importantes do Mover, como o IPI verde, a não antecipação dos 35% de Imposto de Importação de veículos eletrificados e a falta de recursos para P&D das fabricantes de veículos e autopeças.

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Também pesam as sobretaxas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vão provocar alteração no mapa mundial do setor automotivo.

A retaliação aos produtos mexicanos, por exemplo, deve gerar ociosidade nas linhas de montagem do país norte-americano, com realocação para outros mercados, principalmente os da América do Sul, dos veículos que iam para os Estados Unidos.

Além de tudo isso, Lima Leite também revelou pleito dos chineses para o governo brasileiro reduzir Imposto de Importação para veículos desmontados (CKD e SKD). Enfim, uma série de acontecimentos que impedem maior clareza do que vai acontecer na indústria automotiva brasileira a partir de agora.

Imprevisibilidade

“O atraso de um ano na regulamentação do Mover e a manutenção de incentivos para a importação de eletrificados tem gerado atraso nos investimentos. Não temos números exatos de quanto já foi postergado, mas há empresas revisando planos no Brasil, incluindo tanto montadoras como autopeças”, garantiu Lima Leite.

Ele lembrou anúncio de aporte total de R$ 180 bilhões até o final da década, dizendo ser incompreensível a não recomposição da tarifa de importação de 35% para os eletrificados considerando que o Brasil tem imposto mais baixo entre todos os produtores do mundo.

Com relação aos recursos para pesquisa e desenvolvimento, ele informa que os R$ 3,8 bilhões liberados pelo governo são insuficientes para atender a todos os envolvidos no Mover.

O presidente da Anfavea, que no próximo dia 15 passa o cargo para Igor Calvet, o primeiro executivo não ligado a uma montadora a assumir o cargo, comentou sobre a imprevisibilidade que impacta o setor ao divulgar dados de produção, vendas internas e externas ao longo do primeiro trimestre.

Foram produzidos em março 190 mil veículos, queda de 12,6% sobre fevereiro (217,3 mil) e de 2,9% em relação ao mesmo mês do ano passado (195,7 mil). No acumulado do ano são 582,9 mil veículos fabricados, alta de 9,3% sobre o primeiro trimestre de 2024, quando 538 mil veículos saíram das linhas de montagem das montadoras instaladas no País.

A queda, segundo Lima Leite, foi em função de ajuste de estoque, reduzido em 8 mil unidades. O mercado interno total cresceu 7,2% no trimestre, de 514,6 mil para 551,7 mil.

“Em março foram emplacados 195,5 mil veículos, com crescimento impulsionado pelas vendas diretas, principalmente pelas locadoras, e também a alta na compra de importados”, comentou o presidente da Anfavea.


 

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Publicado por
Alzira Rodrigues

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