Com 567 mil transações em abril, as vendas financiadas de veículos recuaram 7,2% no comparativo com o mesmo mês do ano passado, indicando uma desaceleração nas compras a prazo. A queda foi ainda maior no segmento de automóveis e comerciais leves, da ordem de 8,9%.

“A queda ocorre em meio a um cenário econômico desafiador e reflete o impacto das altas taxas de juros”, comenta Daniel Takatohi, superintendente de Produtos de Financiamentos na B3, ao divulgar os dados nesta segunda-feira, 12.

Em números absolutos, até houve alta de 3% em abril com relação a março, mas apenas um reflexo do maior número de dias úteis no mês. Segundo Takatohi, a média diária do mês passado foi menor do que a do mês anterior, assim como também é negativo o balanço do acumulado do ano.

Foram 2.245.000 unidades financiadas no primeiro quadrimestre, redução de 1,1% sobre idêntico período de 2024 e o equivalente a 25 mil unidades a menos nos negócios a prazo.

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Os dados da D3 contemplam veículos novos e usados, tanto leves quanto pesados e também motocicletas. Com relação a abril do ano passado, o balanço indica quedas de 7,2% e 1,3% nos segmentos de pesados e motos, respectivamente.

Na quinta-feira passada, dia 8, o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, revelou preocupação com a decisão do Copom, na véspera, de elevar em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic, que passou para 14,75%.

“É um impacto grande pra leves e pesados.  É um cenário bem diferente de 12 meses atrás, quando a Selic estava na faixa de 10%. Os estoques de caminhões, por exemplo, já começam a subir, há sem dúvidas alguns sinais de preocupação”, comentou o executivo, informando que a taxa de juro para o consumidor está em 28,5% ao ano, um pouco abaixo de um mês antes, quando era de 29,3%, mas com tendência de voltar a subir.

O ritmo de crescimento do mercado automotivo desacelerou no mês passado, indicando alta de 3,4% no acumulado do ano, praticamente a metade do índice existente até março.


Foto: Pixabay

Alzira Rodrigues
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