Empresa

Porto Real comemora Citroën 1 milhão enquanto espera novo produto

Fábrica inaugurada em 2001 se prepara para ser "multimarca" novamente

De Porto Real – RJ

Vinte e quatro anos depois de o primeiro Xsara Picasso ter saído da linha de montagem da fábrica de Porto Real, RJ, da então PSA, o agora Polo Produtivo Stellantis acaba de cravar um marco histórico.

Nesta segunda-feira, 19, foi fabricado o milionésimo automóvel brasileiro da Citroën. A montadora escolheu para representar o número redondo uma unidade do SUV cupê Basalt, na versão Shine e cor vermelha. O total produzido pela planta, no entanto, chega a 1,8 milhão ao colocar na conta os modelos da Peugeot. Também já exportou mais de 400 mil veículos e responde por 5 mil empregos diretos e indiretos.

A deferência ao carro é merecida. Mais recente lançamento, no mercado desde outubro do ano passado, o modelo é o líder de vendas da marca em 2025. Com quase 6,6 mil emplacamentos no primeiro quadrimestre, o Basalt já respondeu por pouco mais da metade dos 13,1 mil automóveis e comerciais leves vendidos pela Citroën este ano.

O SUV é o décimo-primeiro modelo fabricado pela Citroën no Brasil ao longo desse quase um quarto de século, dentre eles, além do Picasso inaugural, também as primeiras e segundas gerações do C3, Aircross e o C4 Cactus.

Junto com o carro número 1 milhão, a fábrica do sul-fluminense comemora a injeção de R$ 3 bilhões do atual ciclo de investimentos da Stellantis no Brasil que seguirá até 2030.

Com os recursos, reforçará a cadeia de fornecimento regional e modernizará processos produtivos. Um movimento que já começou antes mesmo de o investimento chegar efetivamente na unidade. O complexo industrial ganhou cinco novos fornecedores, o que ampliou para o sete o número de parceiros dentro do parque e para nove as empresas locais, além de contratar mais 300 colaboradores.

“As compras de insumos e componentes alcançam R$ 2 bilhões por ano e crescerão a partir do ano que vem com o aumento da demanda do mercado, da produção e da tecnologia”, avalia Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis na América do Sul.

A própria montadora também destaca algo ainda mais importante: a planta reafirmará sua “aptidão multimarca”. A afirmação deixa no ar necessária pergunta: qual outra marca será fabricada nela?

A partir do fim de 2023 somente carros Citroën são produzidos na unidade inaugurada oficialmente em 1º de fevereiro de 2001. Até então, desde o primeiro ano com o pioneiro 206, foram fabricados também carros Peugeot,  deslocados para a fábrica de El Palomar, na Argentina, em 2024 e de onde são importados para o Brasil.

Cappellano fez questão de comandar a solenidade do Citroën 1 milhão, mas esquivou-se quando indagado sobre quais novos produtos e marcas poderiam ser alocados na planta para justificar a qualificação “multimarca”. Nem mesmo prazo para isso cogitou. “Em breve, comunicaremos novidades em produtos. Também estamos ansiosos em poder falar”, desconversou.

As apostas maiores, porém, recaem sobre o ainda inédito no Brasil Jeep Avenger. A produção do SUV compacto que ingressará no portfólio da Jeep como opção de entrada da marca foi antecipada pelo próprio dirigente na semana passada, com direito inclusive a exibição em evento que marcou os 10 anos do Polo Automotivo Stellantis de Goiana, PE.

Igualmente com nesta segunda-feira em Porto Real, Cappellano se recusou a informar em qual das três fábricas o novo modelo será fabricado a partir de 2026, ainda que toda a linha Jeep nacional saia da planta pernambucana desde sua inauguração, em 2015.

O favoritismo de Porto Real tem razões bastante palpáveis. Os atuais três modelos Citroën nacionais — C3, Aircross e Basalt — são montados sobre variação da plataforma CMP, a mesma utilizada pela Stellantis no Avenger fabricado na Europa há dois anos.

LEIA MAIS

→ Avenger: oficialmente o próximo Jeep nacional.

→ Goiana chega aos 10 anos com alto prestígio para a Stellantis

→ SUVs ignoram desaceleração e crescem oito vezes mais do que o mercado

Mais: a Stellantis não esconde que quer — e precisa — reduzir a ociosidade na fábrica fluminense e ao mesmo tempo otimizar custos, com maior compartilhamento de componentes e, sobretudo, concentração do maior número de veículos numa mesma plataforma. A fábrica de Porto Real, hoje, trabalha com capacidade para 130 mil carros/ano em uma condição de um turno e meio e, segundo Cappellano, poder chegar a 180 mil no caso de três turnos completos.

Presente para o consumidor

No embalo das comemorações do carro 1 milhão, a Citroën fará promoção com condições especiais de venda para a sua linha a partir de hoje.

Até até 31 de maio, o hatch C3, nas versões Live Pack 1.0 e Feel 1.0, e o SUV Aircross Fell Pack, nas configurações de cinco ou sete lugares, estão com bônus de até R$ 6 mil na troca de um veículo usado Citroën.

O consumidor também desfrutará de plano de financiamento com entrada a partir de 50% e parcelas em até 48 vezes com taxa de 0,99% ao mês. Outra possibilidade é entrada de 70% e quitação em até 24 vezes ou, no caso do Aircross, também entrada de 70% com taxa zero em 18 vezes.


Fotos: Divulgação Citroën/Pedro Bicudo/George Guimarães

Últimos posts por George Guimarães (exibir todos)
Compartilhar
Publicado por
George Guimarães

Notícias recentes

Scania inicia produção da gama de chassi Super no Brasil

Novidade da fabricante na Lat.Bus 2026 demandou investimento de R$ 120 milhões na fábrica de…

% dias atrás

Grupo Renault confirma produção do Geely EX5 EM-i ainda neste trimestre

Balanço mundial do grupo destaca expansão de 9,3% na receita do primeiro semestre e vendas…

% dias atrás

BYD lidera ranking de sustentabilidade da Kantar no Brasil

Pesquisa ouviu 1,5 mil consumidores sobre 180 marcas

% dias atrás

Excesso de confiança nos recursos de segurança pode aumentar acidentes

Especialistas em segurança viária são mais precavidos do que motoristas consultados em estudo global

% dias atrás

Valvoline amplia vendas em 45,6% no semetre

A demanda por lubrificantes sintéticos nacionais foi a que mais cresceu, com alta de 217%

% dias atrás

No consórcio, tíquete médio dos pesados é o que mais cresce

A alta, no comparativo anual, é de 21,7%, de R$ 92,3 mil para R$ 112,3…

% dias atrás