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E manutenção e reparo do seu carro elétrico após a garantia?

Já diante desse desafio, chineses ainda padecem com custos elevados e serviços alternativos limitados

 

É cenário ainda um pouco distante no Brasil, talvez para daqui cinco ou mais anos, mas já é prudente para os consumidores — e  o próprio setor automotivo — imaginar o que acontecerá com a manutenção dos veículos elétricos quando as garantias de fábrica findarem.

Qual fôlego financeiro o proprietário, seja o primeiro ou mais possivelmente segundo ou terceiro,  terá de exibir para arcar com troca de componentes ou mesmo reparo deles em oficinas independentes? E qual a estrutura, se houver, e capacitação delas para isso?

Esse é quadro ainda aflige a China, maior polo produtor mundial e de consumo de veículos elétricos. Olhar para o que ocorre lá, onde os elétricos já estão nas ruas há bem mais tempo e são numericamente muito mais representativos, pode ser experiência bastante didática para a criação de políticas comerciais e técnicas que atenuem as quase certas dores de cabeça que estarão esperando os clientes brasileiros lá na frente.

Os chineses, apesar da sinalização inicial de que vivenciariam um quadro diferente em não tanto tempo, ainda se deparam com custos de reparação de elétricos maiores do que o previsto. Ganham na manutenção preventiva ou na troca de componentes de desgaste natural, mas padecem em caso de colisões, mesmo as mais leves.

A substituição decomponentes até simples, mas que envolvem algum sistema eletrônico e que demande calibração, pode implicar em desembolso até três vezes maior do que no caso de uma carro similar a combustão.

Em casos de batidas mais violentas, a chamada “perda total” também é mais frequente se for um modelo movido a bateria.

Carros elétricos têm alta integração de componentes, até mesmo estruturais, e muitas vezes a rede autorizada prefere trocar, seja pela facilidade ou pela margem de lucro, um sistema inteiro do que uma peça específica dele.

Apesar da escala de produção e oferta cada vez maiores, as baterias ainda podem representar quase a metade do custo do veículo na China, o que força o cliente a pensar diretamente na compra de outro carro e não no reparo ou substituição do “coração” dos elétricos.

Lá como cá, porém, recorrer a oficinas independentes tem sido prática crescente de consumidores para evitar gastos maiores. Mas são muitos os casos, informa a imprensa chinesa, de montadoras que entraram na justiça contra a rede alternativa por realizarem reparos inadequados, compartilharem abertamente, online, procedimentos tomados, violar baterias bloqueadas, copiar dados com ferramentas de diagnóstico.

Imbróglio a parte com as fabricantes, também não é tão simples optar por um serviço independente e conseguir economizar bons trocados.

As montadoras querem manter sua fatia nos serviços pós-vendas e, para isso, dificultam a vida na reposição, seja restringindo a oferta de peças, de informações técnicas ou ferramentas de diagnóstico. Atualizações via OTA, Over-the-Air, também restringem a atuação de outras empresas que não as autorizadas.

Esse jogo ainda está aberto na China, aqui sequer começou. Há tempo, portanto, para a elaboração de regras, boas de verdade, e contribuições que ajudem a tornar essa inevitável transformação do pós-venda, ainda que muito de longo prazo, mais “azeitada”, menos sujeita a fricções que prejudicarão especialmente os consumidores.


Foto: Divulgação

 

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Publicado por
George Guimarães

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