As próprias montadoras foram informadas da retomada das liberações

A potencial paralisação da produção de veículos no Brasil parece estar em vias de ser enterrada definitivamente. A Anfavea informa que algumas montadoras já receberam comunicado de que seus fornecedores estão retomando ou retomarão os embarques muito em breve a partir da China.
““Na sexta-feira, as fabricantes de veículos começaram a ser avisadas pelos próprios fornecedores de que a autorização para importação de chips está sendo retomada aos poucos. Com isso, o risco de paralisação em nossas fábricas diminuiu”, afirma Igor Calvet, presidente da entidade que reúne as montadoras aqui instaladas.
Segundo o dirigente, dois fatores contribuíram decisamente para a volta do comércio: a liberação pela China da importação de chips por empresas que operam no Brasil e têm fábrica em solo chinês, e a licença especial concedida pelos chineses às empresas brasileiras.
“A situação melhorou, mas é importante dizer que ainda não foi normalizada. Se não houver interrupção novamente nas importações, nossa indústria tende a não ser afetada”, completa o dirigente.
Diante de eventual necessidade de interrupção, em duas ou três semanas, da produção de veículos por conta da escassez do componente, que ameaçava também as linhas de montagem de outros países e grandes polos produtores, como a Europa, já no fim de outubro o governo brasileiro entrou em cena para negociar a continuidade do fornecimento para montadoras e empresas sistemistas.
Em reunião com representantes da Anfavea, Sindipeças e empresas e sindicados ligados ao setor automotivo, o ministro do Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assegurou que havia contatado o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e o do Brasil na China, Marcos Bezerra Abbott Galvão, para iniciar tratativa.
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O problema, na verdade, teve natureza geopolítica. O governo da Holanda decidiu, unilateralmente, assumir o controle da operação local da Nexperia, braço de conglomerado chinês Wingtech Technology, que detém 40% do mercado mundial de chips essenciais para carros.
Em reação, o governo chinês suspendeu a exportação de semicondutores produzidos na China para a operação europeia, assim como diretamente para outros mercados.
Foto: Divulgação
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