Quando se pensava que a maior feira do mundo dedicada aos eletrônicos de consumo (CES, na sigla em inglês), encerrada sexta-feira passada em Las Vegas (EUA), fosse continuar colocando os veículos elétricos na posição de maior interesse, ou seja nos bancos dianteiros, estes foram passados para o banco de trás.
A linguagem figurada foi a manchete da Automotive News (AN), centenária publicação americana especializada em automóveis.
“Robotáxis, robôs operários, sistemas de direção assistida e recursos de I.A. integrados aos veículos dominaram os assuntos relativos aos automóveis na CES deste ano, tirando os veículos elétricos do centro das atenções”, escreveu a AN.
O quadro econômico é preocupante. A GM teve uma queda de 43% nas vendas de elétricos no quarto trimestre de 2025 sobre o mesmo período de 2024.

O prejuízo financeiro foi US$ 7,6 bilhões (R$ 41 bilhões). Custos adicionais poderão ser registrados em 2026. Um furgão de entregas elétrico, totalmente novo, foi descartado pela baixa demanda e fim de incentivos fiscais.
Na Ford a situação é semelhante. Somente no ano passado, amargou prejuízo de US$ 5 bilhões (R$ 27 bilhões) com veículos elétricos. Na América do Norte, substituirá um furgão deste tipo por modelos híbridos e a gasolina.
Também descartou a produção de um furgão elétrico na Europa, mas manterá versões híbridas. Todavia anunciou uma parceria estratégica com a Renault para desenvolver veículos elétricos comerciais e de passageiros.
Prejuízos de curto prazo não significam, nos dois lados do Atlântico Norte, que elétricos estão descartados, mas sim que haverá atrasos.
Por outro lado, diferentes tipos de híbridos (semi-híbridos, plenos e plugáveis) tendem a avançar. Elétricos de alcance estendido, com motor-gerador de combustão interna (MCI) para recarga de uma bateria menor e mais barata, tendem a despertar interesse cada vez maior.
Esta solução afasta a ansiedade de pesquisar recarregadores em estradas e a perda de tempo em viagens. E também comprar um elétrico para uso urbano e um veículo convencional para sair de férias, em feriados ou a trabalho.
Commander Longitude a preço competitivo
Estratégia da Jeep deu mais fôlego nas vendas para o ano-modelo 2026 da versão de entrada Longitude. O preço do SUV médio-grande Commander de sete lugares encolheu R$ 19.000 em resposta à forte estratégia de preço de concorrentes chineses BYD e GWM.
Ainda agregou alguns equipamentos importantes como assistência ao motorista (ADAS, em inglês) de nível 2, seis airbags, multimídia com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, faróis full LED, abertura elétrica do porta-malas e quadro de instrumentos 100% digital.
Introduziu também algumas modificações estéticas em especial na grade de sete fendas, para-choque, faróis de neblina, rodas de 18 pol. e na traseira a ligação iluminada das estreitas lanternas.
No interior, apenas o banco do motorista tem ajuste elétrico, mas os materiais de acabamento são bons e o amplo espaço no banco traseiro continua (terceiro banco com limitações óbvias). Dimensões (mm): comprimento, 4.764; entre-eixos, 2.794; largura, 1.959; altura, 1.682; vão livre, 211; porta-malas, 233 a 661 L (destaque no segmento).
Sem alterações de motor e câmbio: turbo flex, 176 cv e 27,5 kgf·m (gasolina ou etanol); automático epicíclico, seis marchas. Consumo (km/L): urbano, 6,9 (E)/10 (G); estrada, 8,3 (E)/11,5 (G), padrão Inmetro.
Na avaliação do dia a dia, o Commander pode exigir mais atenção do motorista por seu porte, contudo sem reservar surpresas como dificuldade em curvas, estabilidade direcional e potência dos freios, apesar de sua massa em ordem de marcha de consideráveis 1.668 kg.
Silêncio a bordo é um dos pontos altos. Mesmo em pisos irregulares, com buracos ou fora do asfalto, as suspensões independentes funcionam muito bem e passam sensação de robustez.
Preço: R$ 228.790 (no site da marca há promoção “últimas unidades” por R$ 197.990).
Interior é maior destaque do Geely EX5
Modelos chineses têm um estilo bem parecido, independentemente de qualquer marca, e o EX5 elétrico não é exceção. No caso do Geely, um SUV médio-grande, a parte frontal mostra alguma diferenciação.
Mas as laterais e principalmente a parte traseira com as lanternas interligadas, além do onipresente defletor de teto, parecem inspiradas no Porsche Cayenne. As rodas de 19 pol. são exclusivas da Max, versão de topo avaliada.
Suas dimensões estão dentro do padrão reinante na categoria (mm): comprimento, 4.615; entre-eixos, 2.750; largura, 1.901; altura, 1.670; vão livre, 173; porta-malas, 461 L (apenas kit de reparo, sem estepe).

Motor: 218 cv, 32,6 kgf·m. Tração dianteira. Acelera de 0 a 100 km/h em 7,1 s. Com bateria de 60,2 kW·h o alcance, referência Inmetro, é de 349 km, sem distinguir entre uso urbano e rodoviário, o padrão internacional estranhamente aceito e indicado por todos os fabricantes de elétricos ao redor do mundo.
Maior destaque do EX5 está em seu interior espaçoso. Encostos dos bancos dianteiros podem ser totalmente rebatidos. Há apoio para pernas ajustável para o passageiro.
Ocupantes do banco traseiro dispõem de ajuste do encosto até 35°, além de apoio para as pernas. Sob este banco existe uma gaveta de 14 L e, no total, a fabricante informa “33 nichos de armazenamento espalhados pela cabine”. Sob o console central flutuante dispõe de um grande espaço aberto para bolsas ou itens maiores.
Na avaliação dinâmica ficou clara a escolha por uma calibragem de suspensões voltada demais ao conforto de marcha, exigência do mercado chinês. Para as condições de rodagem no Brasil não é o acerto ideal.
Até mesmo a direção apresenta maciez excessiva. Dá para o motorista se adaptar, mas com cinco passageiros e bagagem exige mais atenção com lombadas e buracos.
No final do mês passado, uma atualização pelo ar (OTA, na sigla em inglês) incluiu Android Auto para a tela multimídia de 15 pol. Ponto de destaque: 13 sistemas de assistência ao motorista (ADAS, em inglês).
Preço: R$ 225.800.
Foto: Divulgação
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