Empresa

Filosa reafirma investimentos e estratégia baseada na produção local

CEO mundial participa das comemorações dos 50 anos da Fiat no Brasil

De Betim, MG

A Stellantis não pretende alterar sua estratégia de longo prazo para o Brasil, mesmo diante do avanço das importações de veículos. Em visita ao País para as comemorações dos 50 anos da Fiat, o CEO global do grupo, Antônio Filosa, reforçou que a companhia manterá os investimentos anunciados e seguirá apostando na localização da produção e do desenvolvimento de produtos como principal caminho para preservar a competitividade.

Em coletiva de imprensa realizada em Betim, MG, nesta terça-feira, 21, Filosa, que comandou as operações da empresa na América do Sul antes de assumir o maior posto global, observou que a indústria automobilística brasileira tem enfrentado crescimento acelerado das importações, sobretudo de veículos chineses, movimento que, segundo ele, cria distorções na cadeia produtiva nacional.

Ele citou como exemplo o crescimento de cerca de 10% do mercado brasileiro em junho na comparação com o mesmo mês de 2025. Embora tenha classificado o resultado como positivo, ponderou que boa parte da expansão ocorreu por meio de veículos importados. “Quem produz aço no Brasil, por exemplo, não se beneficiou desse crescimento”, destacou.

Segundo o executivo, a estratégia da Stellantis para se manter competitiva em seu maior mercado global seguirá sendo a ampliação do conteúdo local. “A lógica no Brasil sempre foi localizar e isso não muda no longo prazo”, afirmou.

A Stellantis mantém cerca de 4 mil engenheiros no País e continuará utilizando a estrutura brasileira como centro de desenvolvimento de veículos destinados não apenas ao mercado nacional, mas também a outros países da região.

O Fiat Argo X, que será lançado neste segundo semestre, seria um símbolo dessa estratégia, no entender do dirigente. O modelo compacto é o primeiro de uma nova geração de projetos globais cujo desenvolvimento teve início no Brasil e que estarão nas ruas até 2030.

Segundo ele, a concepção do veículo partiu das necessidades identificadas no mercado brasileiro, mas sua arquitetura permite atender também outros países. “Quando conseguimos desenvolver um produto para o consumidor brasileiro e ele também atende outros mercados, todos ganham”, resumiu.

América do Sul ganha peso na estratégia global

O CEO explicou que o novo plano estratégico da Stellantis prevê crescimento em todas as regiões onde a empresa atua. No caso da América do Sul, a meta é ampliar em cerca de 10% as operações, preservando a liderança no Brasil e na Argentina e aumentando a presença em mercados como Chile e Colômbia.

Entre os seis pilares da estratégia global está o fortalecimento das operações regionais e a ampliação de parcerias tecnológicas e industriais. Nesse contexto, Filosa citou o aprofundamento das cooperações com as chinesas Leapmotor e Dongfeng, iniciativas que deverão apoiar a expansão internacional do grupo.

Ao comentar a crescente concorrência das montadoras chinesas, Filosa destacou que a competitividade passa necessariamente por planejamento de longo prazo. Segundo ele, a indústria chinesa colhe hoje os resultados de decisões tomadas há duas décadas, especialmente na eletrificação.

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A Stellantis, afirmou, dispõe de plataformas globais competitivas, como a STLA para veículos elétricos, mas cada região terá autonomia para definir a estratégia mais adequada às condições de mercado e ao ritmo da transição energética local.

A mensagem deixada pelo executivo foi de continuidade: apesar das mudanças no cenário competitivo mundial, o Brasil permanece como uma das prioridades da Stellantis, tanto na produção quanto no desenvolvimento de  produtos

Italiano, Fiolosa destacou também sua ligação pessoal com o Brasil, onde viveu por quinze anos. “Foi a etapa mais importante da minha vida profissional. Foi aqui que mais aprendi, onde me casei, construí minha família, é um país que mudou minha vida”, afirmou Filosa.


Foto: Divulgação

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Publicado por
Décio Costa

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