O mercado brasileiro de veículos está cada vez mais concentrado em duas categorias: utilitários esportivos e picapes. Modelos dos dois segmentos responderam por 64% dos licenciamentos no primeiro trimestre, maior índice já registrado na história do setor.
A comparação com os quatro anos anteriores mostra crescimento de quase 10 pontos porcentuais dessa fatia. Em 2023, SUVS e picapes de todos os portes representaram 54,4% dos emplacamentos, passando para 56,9% no ano seguinte e chegando a 61,7% em 2025.
Os maiores responsáveis por esse salto, naturalmente, são os utilitários esportivos. Sozinhos, eles representaram 35,9% das vendas de automóveis e comerciais leves em 2023, ampliaram a penetração em 2 pontos porcentuais no ano seguinte e estabeleceram 43% no ano passado. Neste último primeiro trimestre já encostaram em 46%.
A pujança das vendas de utilitário esportivos fica ainda mais explícita quando se avalia somente o universo dos negócios com carros de passeio. Neste caso, eles já representam 58% dos licenciamentos, 12,5 pontos porcentuais a mais do que há apenas três anos.
A contribuição das picapes tem se mantido no patamar de 18% a 19% nos últimos anos, índice que tem tudo para avançar um tanto mais a partir deste ano e especialmente de 2027.

Até lá, alguns dos atuais modelos ganharão novas gerações, outros recém-lançados entrarão em ritmo comercial mais acentuado e ainda debutarão nas concessionárias produtos inéditos de marcas que ainda hoje não atuam no segmento.
É o caso da BYD, que já tem “na agulha” uma picape nacional do porte da Toro. A representante da Fiat, líder do segmento intermediário, também ganhará a concorrência da Volkswagen Tukan, produzida no Paraná, e da Renault Niagara, que substituirá a veterana Oroch.
Com reforços dessa magnitude nas picapes e, de outro lado, a voracidade do programa de lançamentos de utilitários esportivos que não arrefece desde que a Jeep apresentou o Renegade nacional, em 2015, ganhou mercado e deflagrou a “febre SUV”, é bem provável que a dupla SUV-picape sigam com participações ascendentes não só em 2026, mas também em 2027, 2028…
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Das treze categorias de automóveis de passeio definidas pela Fenebrave, media dúzia estão, digamos, extintas desde meados dac década passado, como as de station wagons e hatches médios, para ficar apenas naquelas que um dia tiveram pesos relevantes nos licenciamentos.
Outras três têm somente — somadas! — 6% das vendas, enquando os sedãs compactos representam 4,6% e os carros mais baratos, chamados de entrada, somam 6,7%.
Não será surpresa, portanto, se em mais um ou dois anos, a lista de extintas ganhar uma ou duas outras categorias, igualmente esquecidas pelos consumidores que só pensam, ou encontram na prateleira de novidades, utilitários esportivos e picapes.
Foto: IA
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