A sempre cautelosa indústria automobilística japonesa está dando mais uma mostra dessa sua cultura que ainda muitas vezes é confundida com falta de agilidade. Desta vez, pelas mãos da Honda e diante de um cenário de flexibilização de legislações de emissões e prazos, além de novas políticas comerciais de vários países.

A segunda maior montadora de veículos do Japão desvendou nesta terça-feira, 20, estar bem menos otimista com a evolução nos próximos anos do mercado global de veículos elétricos movidos exclusivamente a bateria, os VEBs.

Toshihiro Mibe, CEO da montadora, concedeu entrevista coletiva em Tóquio para anunciar drástico corte de 30% dos investimentos de US$ 48,4 bilhões anteriormente previstos para até o fim desta década e voltados para a eletrificação e também softwares.

A revisão para baixo do orçamento se dá após projeções da empresa de que, com a desaceleração do crescimento do consumo, os VEBs deverão representar somente 20% de suas vendas até 2030 ante estimativa anterior de 30%. Com essa perspectiva, há duas semanas a empresa também já havia adiado em pelo menos dois anos a construção de uma fábrica de elétricos no Canadá.

“É  difícil ler o mercado, mas no momento vemos os veículos elétricos representando um quinto dos negócios até lá”,  afirmou Mibe.

Honda

A percepção desse novo cenário influencia, por outro lado, a aceleração da oferta de modelos híbridos. A partir de 2027, a Honda lançará nada menos do que 13 modelos com a tecnologia ao longo de quatro anos, mais do que o dobro do atual portfólio de híbridos em todo o mundo.

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Com o novo portfólio, a montadora objetiva vender cerca 2,2 milhões de híbridos anualmente até 2030, duas vezes e meia as 870 mil unidades que negociou em 2024 e que representaram menos de 25% das vendas totais de 3,6 milhões de unidades.

Base desse salto, acredita a Honda, em parte virá de oferta de híbridos a preços mais competitivos. A ideia é reduzir o custo do sistema híbrido de próxima geração em mais de 50% em comparação coma tecnologia presente nos veículos da marca a partir de 2018 e em mais de 30% com a atual, apresentada em modelos lançados desde 2023.

Apesar dessa reviravolta no médio prazo, a direção da montadora reiterou a disposição de fazer com que todas suas vendas até 2040 sejam de veículos a bateria e células de combustível.


Foto: Divulgação

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