Blog da Redação

Questão de racionalidade. Será?

Marketing

Por George Guimarães | george@autoindustria.com.br

A Volkswagen já revelou que não participará do Salão de Paris este ano. A Audi descartou sua presença na edição de 2019 de Detroit, mostra que também não terá Mercedes-Benz e BMW. A Volvo diz que sua participação mundo afora em salões será mais seletiva.

Afinal, esses grandes eventos, surgidos no fim do século XIX, já não têm mais tanta importância para os fabricantes na era digital ou se trata de momentâneo enxugamento de custos?

A resposta pode variar de empresa para empresa ou mesmo contemplar esses dois aspectos em alguns casos. Mas o fato é que não participar de salões de veículos já não é visto como um grande problema pelas montadoras, decisão que outrora certamente seria interpretada como decorrência de algum problema mais grave.

E isso não tem a ver com a baixa audiência desses encontros. Até porque as bilheterias das principais mostras seguem  faturando alto e o público médio é sempre na casa das centenas de milhares de aficionados.

A questão é mais o custo por mil desses espectadores, na verdade. Com a milionária verba desembolsada para cada um desses eventos — e  são algumas dezenas em todo o mundo —, algumas empresas dizem poder fazer muito mais, para um universo infinitamente maior e mais de acordo com o perfil dos produtos que pretendem destacar.

“São os anos da racionalidade”, justifica um executivo de montadora que não participará do próximo Salão do Automóvel de São Paulo.

Se a 30ª edição da tradicional mostra paulistana tem trinta marcas confirmadas, não terá  ao menos outras sete: JAC, Jaguar, Land Rover, Peugeot, Citroën, DS e Volvo.

Soa até estranho em um momento de forte recuperação do mercado interno, de ebulição de lançamentos e do fim das amarras impostas pelo Inovar-Auto para os importados. Mas são empresas multinacionais e, a rigor, o bolso de quem paga a conta é o mesmo.

Saber exatamente quanto, onde e em que momento investir sempre foi um desafio para esses conglomerados de atuação global. O que dirá então em um estágio em que o próprio modelo de seus negócios é colocado em xeque? É o famoso vale quanto pesa.


Foto: Divulgação/Reed Exhibitions

 

 

 

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