Indústria

Montadoras desaconselham diesel B15

Empresas apontam riscos de danos ambientais, aumento de custo para o transportador e impactos para a segurança

A Anfavea emitiu nota, nesta sexta-feira, assinada pelo presidente Antonio Megale, desaconselhando o aumento de participação do biodiesel no diesel comercial para 15%, ainda que de forma escalonada, conforme decisão governamental de novembro do ano passado.

A medida, aprovada pelo do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), autoriza o aumento de 10% para 15% do volume de biodiesel em etapas. Em junho deste ano, será autorizado o aumento dos atuais 10% para 11% e, em 2023, para  15%. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a medida “oferece previsibilidade ao setor, incentiva a geração de empregos e investimentos na área de combustíveis.”

A Anfavea, porém, apresentou para a pasta, em 14 de fevereiro, relatório de consenso entre os fabricantes não recomendando  a maior participação do biodiesel  após suas empresas associadas realizarem testes, acordados com o MME, com a futura formulação.

“É fato que alguns testes não apresentaram alterações, porém é consenso entre as montadoras, e esta questão foi apresentada ao Ministério, que caso algum teste apresentasse problemas, a indicação da indústria automobilística seria para não elevação do teor de biodiesel”, afirma Megale na nota.

Alguns testes, diz a Anfavea, mostraram que, com 15% de biodiesel no óleo diesel comercial, “os veículos poderão apresentar danos ambientais, aumento de custo operacional para o transportador e impactos para a segurança do veículo. Principalmente para a frota em circulação que não está adaptada para o novo teor de biodiesel”.

Entre os problemas identificados pelas montadoras estão:

  1. Aumento da emissão de NOx;
  2. Não atendimento à demanda legal para garantia de durabilidade de emissões, previsto pelo Proconve;
  3. Aumento da periodicidade da troca de óleo e filtros;
  4. Entupimento de filtro e injetores;
  5. Aumento do consumo de combustível;
  6. Desgaste dos componentes metálicos do motor;
  7. Combustível com baixa estabilidade à oxidação (forma resíduos).

Megale conclui a nota assegurando que “a indústria automobilística brasileira possui centros de pesquisa e desenvolvimento altamente qualificados e comprometidos em entregar ao consumidor veículos seguros e eficientes. Testes como esses, realizados pelas montadoras, são essenciais para garantir que os produtos não apresentem problemas no futuro”.


Foto: Divulgação/Scania

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Publicado por
Redação AutoIndústria

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