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FCA mantém investimento, mas prorroga o ciclo em um ano

Antonio Filosa fala das dificuldades neste momento de crise provocada pelo Covid-19, mas avalia que Brasil está no caminho certo

Em entrevista on line a um grupo de jornalistas no final da tarde desta terça-feira, 31, o presidente da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, para a América Latina, Antonio Filosa, comentou sobre os diferentes aspectos envolvidos na atual crise provocada pelo Covid-19, abordando desde as ações em curso para ajudar no combate à sua propagação até os seus efeitos no caixa das empresas, no cronograma de lançamentos e no mercado brasileiro.

O executivo garantiu que o plano da empresa de investir R$ 18 bilhões no Brasil está mantido, mas o prazo que inicialmente seria de 2018 a 2024 foi prorrogado por um ano, ou seja, vai agora até 2025. Fruto da inevitável prorrogação do período de maturação dos projetos da empresa, como os da nova fábrica de motores em Betim, MG – cujas obras estavam 60% encaminhadas -, e do lançamento da nova picape Fiat Strada, que seria em abril.

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“É uma postergação técnica. Estamos mantendo todos os nossos planos, incluindo novos SUVs das marcas Fiat e Jeep, mas não há mais como cumprir os prazos iniciais de lançamento. Como estamos vendendo zero, assim como nossos fornecedores, o problema com fluxo de caixa será generalizado. Estamos mapeando para ver quem pode ter mais dificuldades, mas o problema de caixa é severo para todos.”

Com relação ao mercado interno, Filosa comentou que as vendas de veículos caíram 90% na segunda quinzena de março, sendo inevitável uma retração em 2020 em relação a 2019. Na área trabalhista, a princípio a FCA mantém a previsão de retorno dos funcionários que se encontram em férias coletivas para o dia 21 de abril. “Entre os dias 10 e 15 vamos avaliar a situação para ver se mantemos essa data ou não”, informou Filosa.

Quanto a eventuais medidas relativas ao quadro de mão-de-obra, como a adoção de lay-off com redução de salário como vem propondo a General Motors, o executivo disse que a empresa vai esperar a MP do Trabalho que está sendo prometida pelo governo para avaliar novos passos nessa área. “Não queremos demitir ninguém. Essa com certeza será a última das últimas medidas que adotaremos por conta da atual crise.”

Na avaliação do presidente da FCA, o Brasil agiu rápido na tentativa de conter a pandemia, adotando medidas de prevenção 28 dias após a constatação dos primeiros casos, mesmo período que levou a China. Já outros países, como Itália e Estados Unidos, demoraram mais.

“O Brasil foi reativo, adotou medidas emergenciais, como a liberação de R$ 350 bilhões, e tem muitas ferramentas e competências para enfrentar o atual momento. Acredito até que o País tem mais chances de sair dessa crise com menos dificuldades do que outros países que demoraram mais. O Brasil pode até sair fortalecido”, comentou o executivo, que durante a entrevista esquivou-se apenas de comentar sobre o quanto a postura do presidente Jair Bolsonaro (de não cumprir o isolamento social, por exemplo) pode afetar a relação com a matriz da empresa.

“Não quero entrar nessa questão. Sou casado com uma brasileira e tenho filho brasileiro, mas sou italiano. Como não sou daqui, não posso comentar sobre a conduta de autoridades locais.”

Quanto ao eventual lado bom da crise, Filosa disse ser muito difícil pensar nisso agora, num momento em que 800 pessoas estão morrendo por dia na Itália. De qualquer forma, arriscou avaliar que ao final da atual crise mundial decorrente do Covid-19 haja mais união e menos conflitos mútuos. “Temos conflitos, mas também temos inúmeros exemplos de solidariedade. Vamos nos unir mais.’


Foto: Divulgação/FCA/Leo Lara

 

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Publicado por
Alzira Rodrigues

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