Empresa

Mercedes-Benz suspenderá produção por 15 dias

Serão 5,6 mil funcionários em férias coletivas a partir do próximo dia 18 por causa da falta de semicondutores

A Mercedes-Benz do Brasil vai paralisar suas atividades produtivas no País de 18 de abril a 3 de maio por causa da falta de componentes eletrônicos.  A empresa concederá férias coletivas para 5 mil profissionais  de São Bernardo do Campo, SP, e outros 600 da fábrica de Juiz de Fora, MG.

Em comunicado distribuído nesta segunda-feira, 4, a montadora reafirma seu compromisso em atender aos clientes,  destacando que tem adotado diversas alternativas junto à cadeia brasileira de suprimentos e ao grupo Daimler Truck para enfrentar os desafios diários de abastecimento de peças.

Apesar desses esforços, contudo, são necessários ajustes na sua produção de caminhões, chassis de ônibus e agregados no ABC paulista e de cabines na planta mineira. Ou seja, sem semicondutores, a única saída é parar. O problema é mundial e perdura desde o início do ano passado, afetando mais fortemente, no início, as fabricantes de automóveis e comerciais leves.

A General Motors, por exemplo, chegou a paralisar sua produção em Gravataí, RS, por quatro meses durante o primeiro semestre de 2021. Este ano, a Volkswagen estava operando em apenas um turno nas plantas paulistas de São Bernardo e Taubaté, onde as atividades em dois turnos foram retomadas, respectivamente, no início de março e nesta segunda-feira, 4.

Agora a empresa de origem alemã ameaça suspender um turno na fábrica paranaense de São José dos Pinhais, onde produz o SUV T-Cross. A Renault, por sua vez, está com a produção suspensa também no Paraná esta semana devido à escassez dos semicondutores.

Ao comentar a decisão da Mercedes-Benz, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC cobrou a  urgência de uma política industrial que garanta maior previsibilidade para as empresas que operam no Brasil. A fabricante de veículos pesados já havia colocado 1,2 mil metalúrgicos em férias coletivas em março por caua de problemas na cadeia de fornecimento de peças.

Sandro Vitoriano, coordenador do Comitê Sindical na montadora, disse que a paralisação da produção prejudica o andamento de processos de contratações. “Nossa apreensão é como ficará o cenário no segundo semestre com tantas incertezas”, afirmou, lembrando que a Mercedes-Benz conta com cerca de 9 mil trabalhadores em São Bernardo, dos quais 6 mil ligados à produção.

Na avaliação do diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva, o anúncio destas férias coletivas mostra a falta de planejamento e de debate por parte do governo federal sobre novas tecnologias, inovação e desenvolvimento.

“Esse é um debate antigo que estávamos fazendo no Brasil. Já sabíamos que precisávamos desenvolver alguma parte da cadeia de valor de semicondutores e o que o governo atual fez foi o desmonte do segmento no País. Agora estamos reféns, mais do que nunca, da importação dos semicondutores”, destacou o sindicalista, lembrando que tal problema tem levado ao colapso os poucos setores que ainda estão “em pé” no atual cenário econômico.

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Foto: Divulgação/Mercedes-Benz

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Publicado por
Alzira Rodrigues

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