A Marcopolo encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido consolidado de R$ 535,8 milhões, recuo de 5% ante os R$ 564,2 milhões do mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 4,03 bilhões, avanço de 1,2% na comparação anual, com EBITDA de R$ 643,3 milhões e margem de 16%, ante 16,6% no primeiro semestre do ano passado.

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No acumulado do semestre, a produção total da companhia ficou praticamente estável, com 7.102 unidades, apenas 0,1% acima do ano anterior. O desempenho foi sustentado pelo avanço de 8,7% na produção para o mercado interno brasileiro, que somou 5.717 unidades, enquanto o exterior recuou 37,5%, para 793 unidades.

Segundo trimestre com receita em alta

No segundo trimestre, a receita líquida alcançou R$ 2,37 bilhões, crescimento de 3% ante o mesmo período de 2025, impulsionada pelo aumento das entregas de micro-ônibus e pelas exportações a partir do Brasil. O lucro líquido, porém, caiu 15,5%, para R$ 271,2 milhões, com EBITDA de R$ 338,6 milhões (queda de 15%) e margem de 14,3%, 3 pontos percentuais abaixo do registrado um ano antes.

A produção total no trimestre somou 4.105 unidades, alta de 8%, com destaque para o Brasil, responsável pela produção de 3.675 unidades, 19,4% maior. No exterior, a produção caiu 40,5%, para 430 unidades.

Mix de micros-ônibus

A companhia atribuiu a queda da rentabilidade ao mix de entregas no Brasil, com maior exposição da receita a micro-ônibus, segmento de menor valor agregado, mas que passou a representar 17,7% da receita líquida no trimestre, ante 8,2% no mesmo trimestre de 2025. As entregas foram concentradas nos programas federais Caminhos da Saúde e Caminho da Escola, que haviam sido precificados há mais tempo e, com isso, sofreram com o aumento dos custos de matérias-primas, em especial pelos derivados de petróleo.

A valorização do real frente ao dólar também comprimiu as margens das exportações, enquanto as controladas na Argentina (Metalsur) e no México tiveram desempenho fraco. A Marcopolo registrou custos não recorrentes de R$ 10,4 milhões com a reestruturação da Metalsur, que enfrenta um ambiente de crédito mais restritivo.

A companhia destacou ainda que o trimestre apresentou “desafios relevantes” no País, com volumes aquém do esperado nos segmentos de rodoviários e urbanos, além de “condições de crédito mais restritivas, taxas de juros elevadas e maior nível de incerteza” que impactaram o apetite dos clientes por investimentos em renovação e expansão de frotas.

No lado positivo, as exportações a partir do Brasil avançaram 16,2% em receita, para R$ 289,9 milhões, beneficiadas por vendas de rodoviários de maior valor em mercados como Peru e Chile. A companhia destaca ainda a entrega 67 ônibus elétricos Attivis no trimestre, ante 15 registrados no segundo trimestre de 2025.


Foto: Divulgação Marcopolo

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