Indústria

Produção de caminhões cresce em agosto, mas sobre base baixa

Programa de incentivo do governo pouco ajudou e tem data para acabar, apesar de confirmação anterior de prorrogação até o fim dos recursos

Produção de caminhões em agosto registrou crescimento de 42,6% sobre o mês anterior, para 9,6 mil unidades. Para a Anfavea, a alta é importante, mas não traz motivos para comemorações devido a uma base comparação muito baixa, além de ainda não representar tendência de recuperação.

Tanto é assim, que o volume registrado no mês passado foi 44,6% inferior em relação ao mesmo período de 2022, quando das linhas de montagem saíram 17,2 mil caminhões.

Ao observar os volumes acumulados, no ano passado a indústria registrava 101,7 mil unidades produzidas de janeiro a agosto ante 63,5 mil anotados nos últimos oito meses, um declínio de 37,5%.

“A aderência do mercado aos novos produtos adequados ao Proconve P8 ainda custa a se efetivar. A produção ainda segue se adaptando ao mercado”, avaliou Márcio de Lima de Leite, presidente da Anfavea, durante apresentação do balanço de agosto do setor automotivo.

O impulso que se esperava com a MP 1.175, no qual estabelece descontos para compra de veículos pesados novos em contrapartida à entrega de antigos não se mostrou eficaz, ao menos até agora. Pelas contas da Anfavea apenas 400 unidades de caminhões foram adquiridas pelo programa.

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De acordo com a associação, há ainda R$ 700 milhões disponíveis e somente até dia 3 de outubro para serem reservados pelas montadoras, data na qual a MP deixa de ter validade. Em ocasiões públicas anteriores, no entanto, o vice-presidente da República e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, chegou sinalizar enfaticamente que o programa seria prorrogado até o esgotamento dos recursos.

O presidente da Anfavea, porém, lembra que para extensão do programa é necessário aprovação no Legislativo. “Nosso monitoramento em Brasília sinaliza que há risco de a votação não ocorrer até o dia 4 de outubro devido a agenda do Congresso. Isso foi motivo de uma conversa com o vice-presidente na semana passada. Ele se comprometeu a trabalhar para que aconteça, mas também concorda com a agenda apertada no Congresso.”


Foto: Mercedes-Benz/Divulgação

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Décio Costa

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