Por causa da facilidade para importar, marcas chinesas estão postergando início de produção local, diz presidente da Anfavea

Avenda de automóveis e comerciais leves nacionais ficou estagnada no acumulado do primeiro quadrimestre do ano, com pouco mais de 567 mil emplacamentos. A de importados, em contrapartida, evoluiu 18,7%, passando de 124,4 mil para 148 mil no comparativo deste ano com 2024.
Graças aos produtos estrangeiros, portanto, o mercado interno cresceu 3,4%, de 735 mil para 460,4 mil no período de janeiro a abril. A importação de produtos chineses teve evolução de 28%, para mais de 44 mil unidades, com os veículos vindos do país asiático respondendo no acumulado do ano por 6% das vendas totais no Brasil.
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“Estamos recebendo um fluxo de importações muito acima de um nível saudável, o que se reflete na queda de vendas de produtos nacionais, sobretudo no varejo”, comentou o novo presidente da Anfavea, Igor Calvet, ao divulgar o balanço do setor nesta quinta-feira,8.
Ele destacou os altos estoques das marcas estrangeiras no País e a continuidade de chegada de navios abarrotados nos portos brasileiros.
Na sua avaliação, a facilidade para importar tem contribuído para que os fabricantes chineses adiem constantemente seus planos de produção local, solicitando inaceitáveis reduções de tarifas para importação de veículos desmontados, “o que afronta nosso governo, nossa indústria e nossos trabalhadores”.
Quem está pedindo benefícios para a importação de unidades CKD e SKD é a BYD, que prometeu produção em Camaçari, BA, em projeto que nem mesmo o sindicato local tem depositado confiança.
Calvet diz que a volta da alíquota cheia de 35% para importação de eletrificados, que a Anfavea vem reivindicando junto ao governo sem sucesso, não será suficiente para barrar a invasão dos chineses.
“Temos alguns pleitos, um deles é esse. E como já foi notificado, a Anfavea avalia a adoção de medidas contra práticas antidumping. Não somos contra a concorrência nem contra as importações. Mas consideramos fundamental uma equalização nas condições de mercado. Para aproveitar a alíquota reduzida de importação dos eletrificados, não param de chegar navios abarrotados de carros chineses”, reforça Calvet.
Foto: Divulgação/Anfavea
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