A Renault escolheu a cidade São Paulo para a avant-première mundial do Boreal, realizada nesta quinta-feira, no Parque do Ibirapuera. O SUV médio, entretanto, estará nas concessionárias somente no último trimestre deste ano por valor e em versões ainda não reveladas pela marca francesa.
Concebido sobre a plataforma modular RGPM, a mesma do Kardian, o Boreal será vendido em 70 países de todos os continentes. Caberá ao Brasil ser o primeiro mercado a receber o modelo, cuja produção pré-série começou em São José dos Pinhais, PR.
Já no primeiro semestre de 2026, o utilitário esportivo de linhas arrojadas e com toque de esportividade chegará a outros 17 países da América Latina, exportado a partir do Brasil. Aqui será fabricado com motor 1.3 turbo de 163 cavalos da Horse, câmbio automático de seis velocidades, quadro de instrumento digital de 10 polegadas, mesma medida da tela do multimídia.

Na busca de um novo perfil de cliente, que hoje compra modelos na faixa dos R$ 200 mil e acima, o SUV terá ainda, a depender da versão, sofisticações como pacote completo de tecnologias de assistência à condução, bancos dianteiros com comandos elétricos e massageadores, além de som premium, teto solar e abertura elétrica da tampa do porta-malas.
Para atender os demais mercados e continentes, a Renault fabricará o Boreal, que tem 4,56 m de comprimento e 2,70 m de entre-eixos, também na planta de Bursa, Turquia, em 2026, revelou Ivan Segal, vice-presidente da Renault International Operations, na prática o responsável pelas vendas fora da Europa.

Segal, que conhece bem o mercado brasileiro — teve passagens pela Citroën e também Volkswagen aqui — foi deslocado da França exclusivamente para apresentar o inédito utilitário esportivo junto com Ariel Montenegro, novo presidente da Renault no Brasil, para imprensa brasileira, mas também da Argentina, Colômbia e do México.
O Boreal, lembrou o executivo, já é o quarto modelo apresentado em pouco mais de um ano do pacote mundial de oito lançamentos destinados a mercados fora da Europa e que será concluído até 2027. O primeiro é exatamente o Kardian, também produzido no Paraná desde o ano passado.
Dos quatro modelos restantes, confirmada para o mercado sul-americano, por enquanto, somente a picape Niagara, natural substituta da Oroch e que será fabricada na Argentina no ano que vem, também sobre a plataforma RGPM.

Segal e Montenegro: Boreal brasileiro seguirá para 17 países.
Com os novos produtos previstos no plano Renault International Game Plan, lançado em 2023 e que consumirá € 3 bilhões, Segal espera diminuir a dependência da Renault dos negócios europeus, que hoje respondem por cerca de 60% das vendas globais.
“A fatia fora da Europa é de cerca de 40% e queremos chegar a 50% até 2027. Este ano, já devemos ver algum crescimento dessa participação”, afirma Segal, destacando avanço de 16,4% nos números do primeiro semestre que serão detalhados em balanço mundial no próximo dia 30.
A América Latina terá participação relevante nesse processo de ampliação das vendas globais fora da Europa, assegura Segal, que, no entanto, não explicitou quanto os mercados da região poderão representar nos próximos anos.
As vendas latino-americanas, porém, já estão avançando consideralmente em 2025. A Renault negociou 124 mil automóveis e comerciais leves no primeiro semestre, 24% a mais do que em igual período do ano passado.
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Com 60,7 mil licenciamentos, o Brasil é o segundo maior mercado individual da marca, atrás somente da França. A Argentina, cujas vendas da Renault quase dobraram até junho, aparece já como o oitavo maior consumidor.
Tanto quanto — ou até mais — ampliar a participação de 40% das vendas de outros mercados e que somaram 560 mil das 1,57 mil unidades negociadas pela montadora em 2024, o plano estratégico da montadora visa dobrar o faturamento unitário por veículo em relação a 2019. Por conta disso, cinco dois oito modelos previstos serão dos segmentos C, caso do Boreal, e D, produtos de maior valor agregado.
“Mais do que um novo modelo, o Boreal encarna nossa ambição internacional, marca uma nova etapa no fortalecimento de nossa ofensiva comercial no segmento C”, sintetiza.
Foto: AutoIndústria
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