Pouco mais de um ano atrás, Carlos Tavares era o homem que definia os rumos da gigante automobilística Stellantis no mundo inteiro. Tudo mudou rapidamente. O executivo português foi desligado da montadora em dezembro e, esta semana, voltou às manchetes ao colocar em dúvida a continuidade do conglomerado criado sob sua gestão em 2021.
Em livro lançado nesta quinta-feira, 23, na França, o ex-CEO aponta grandes divergências de interesses entre os grupos e operações norte-americano, francês e italiano unidos a partir da fusão da PSA Peugeot Citroën com a FCA, Fiat Chrysler Automobiles.
Não só isso! Tavares, conta a agência de notícias Bloomberg, sugere que esse quadro pode resultar em uma dissolução da Stellantis, montadora que hoje reúne 15 marcas de automóveis e comerciais leves — a última, a chinesa Leapmotor, agregada poucos meses antes da saída de Tavares.
Em comunicado, revelou:“Estou preocupado que o equilíbrio entre Itália, França e Estados Unidos se quebre”.
O ex-CEO entende até que uma eventual divisão entre dois grupos — um norte-americano e outro europeu — é um cenário possível. “E há muitos outros: poderia um fabricante chinês, um dia, fazer uma oferta pelos negócios na Europa, com os americanos retomando as operações na América do Norte”, acrescenta.
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Tavares foi apeado do principal cargo executivo da Stellantis após diversas mudanças operacionais e perda de participação de mercado sobretudo nos Estados Unidos, em parte motivada por corte de custos e políticas comerciais equivocadas.
Essa equação é contestada agora pelo executivo, que teria decidido antecipar sua aposentadoria prevista, e anunciada bem antes, para o fim deste ano.

Filosa: plano de US$ 13 bilhões para recuperar operçaões na América do Norte.
A Stellantis é comandada desde junho por Antonio Filosa, que vinha respondendo pela operação norte-americana e pela marca Jeep em todo o mundo depois de consolidar a montadora como líder de mercado na América do Sul, onde detém perto de um quarto das vendas e mais de um terço do mercado brasileiro, o maior da região.
Os mais recentes movimentos do novo CEO, porém, sinalizam disposição para colocar novamente marcas e fábricas estadunidenses em patamar mais elevado dentro do grupo. No começo deste mês, Filosa anunciou robusto programa de investimentos de US$ 13 bilhões nos Estados Unidos.
Os recursos visam o lançamento de cinco produtos totalmente novos nos próximos quatro anos, novos motores e aprimoramento da manufatura, com a produção atual sendo ampliada em 50% e a geração de 5 mil empregos em pelo menos quatro das 34 plantas do grupo no país.
“Acelerar o crescimento nos Estados Unidos tem sido uma prioridade desde o meu primeiro dia”, admite Filosa, apontado por Tavares como uma escolha natural para substituí-lo.
A notícia do ciclo de investimentos e sua finalidade, associada à baixa ocupação de algumas plantas na Europa, geraram desconforto e preocupação do outro lado do Atlântico, inclusive por parte dos sindicatos de trabalhadores franceses e italianos, destaca a Bloomberg.
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