Renault e Geely anunciaram nesta segunda-feira, 3, a assinatura definitiva de acordo pelo qual a montadora chinesa passa a deter 26,4% da Renault do Brasil, transação anunciada no começo do ano mas que ainda dependia de autorização das autoridades econômicas da França, China e do Brasil.
A partir de agora, oficialmente, as duas empresas poderão trabalhar em conjunto no desenvolvimento e produção de veículos, sobretudo de emissão zero e de baixa emissão, para o mercado brasileiro e países vizinhos da América Latina.
Com a parceria, os dirigentes vislumbram a aceleração da expansão da Geely na região e maior ocupação produtiva da fábrica de São José dos Pinhais, PR, base produtiva atual dos modelos Renault Kwid, Kardian, Boreal, Duster, Oroch e do furgão Master.
O acordo também contempla a adoção de novas tecnologias e da plataforma multinenergia GEA, inclusive em modelos Renault, originária da Geely para veículos híbridos e totalmente elétricos, além da estrutura comercial da Renault, que fica responsável pela venda automóveis da marca chinesa.

EX2: candidato natural a veículo nacional.
Desde meados deste ano, a Renault do Brasil vem estruturando a operação da Geely no País, com a abertura de concessionárias e o início das vendas do SUV elétrico EX5. Um veículo ainda mais acessível, o EX2, está sendo lançado oficialmente esta semana para disputar o segmento de entrada de modelos movidos a bateria e potencial primeiro produto brasileiro da Geely.
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“A parceria representa um passo decisivo em nossa estratégia internacional. Ela estabelece uma cooperação ágil, fundamentada na excelência industrial e na liderança tecnológica”, disse François Provost, CEO do Grupo Renault, em nota oficial assinada pelas duas empresas.
O acordo entre os dois grupos não é inédita. Renault e Geely já têm colaborações em projetos globais, dentre elas na Renault Coreia, onde a montadora francesa fabrica o Grand Koleos sobre plataforma da Geely, e também na Horse Powertrain, responsável mundial pelo fornecimento de motores.
Outras parcerias em estudo
O modelo de parceria agora consolidado na operação brasileira pode ser replicado pela Renault em outras unidades, admitiu Fabrice Cambolive, diretor de crescimento do Grupo Renault, nesta segunda-feira, na China.
O executivo, que presidiu a Renault do Brasil de 2015 a 2017, reconhece tratativas com outras montadoras, em particular as chinesas, para aumentar a eficiência de suas fábricas em todo o mundo e, por consequência, a competitividade dos produtos em diversos mercados.

Cambolive: tratativas com a Chery.
Há um mês, por exemplo, a agência Bloomberg nociticiou negociações da Renault com a chinesa Chery para produção e vendas de automóveis na América do Sul.
Os primeiros contatos teriam sido feitos ainda sob a gestão de Luca de Meo, CEO mundial que deixou a Renault em junho, e envolveriam as fábricas da empresa francesa na Argentina e Colômbia.
“Esse tipo de parceria é claramente vantajoso porque estamos ampliando o acesso a diferentes plataformas, ferramentas industriais, engenharia e uma rede de distribuição”, disse Cambolive, que confirmou contatos com a Chery, mas assegurou que, por enquanto, não há qualquer projeto finalizado.
Foto: Divulgação
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