Empresa

No segmento de ônibus, Mercedes-Benz só vê incertezas em 2026

Mercado fechou o primeiro trimestre em queda de 20% e conjuntura atual não ajuda na recuperação

A terra arrasada provocada pela pandemia no transporte coletivo de passageiros, o mais prejudicado no setor automotivo na ocasião, foi sendo recuperada ao longo do tempo.

De maneira gradual, o mercado de ônibus se fortaleceu e conseguiu encerrar o ano passado como o melhor desde 2018, com 23,8 mil chassis entregues, 72% acima do consolidado em 2020, ano da crise sanitária. O segmento chega agora, ao fim do primeiro trimestre sob a sombra de mais uma grande incógnita.

LEIA MAIS

→Mercedes-Benz aumenta presença no fretamento rural com o chassi OF 1519 R

→Mercedes-Benz avança em eletromobilidade com negociação de 200 unidades do chassi eO500U

→Mercedes-Benz anota aumento de 50% nas exportações de chassi em 2025

“O ano passado foi para comemorar, embora tenhamos visto o empresário do segmento de ônibus rodoviários com menos apetite”, pontua Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing, Peças e Serviços Ônibus da Mercedes-Benz. “Agora, em 2026, temos um cenário de muitas incertezas em um ambiente que já registra 20% de queda no acumulado do primeiro trimestre.”

Contexto desafiador

Embora a cena nebulosa não seja privilégio apenas do executivo, sobram motivos de preocupação. A começar pelo conflito no Oriente Médio que, além do desastre humanitário, empata a distribuição do petróleo. “Somente nas últimas semanas o custo da operação com ônibus aumentou entre 22% e 25% devido ao diesel mais caro. É certamente, condição que desestimula compras.”

A própria guerra também não ajuda a colocar a Selic em rota de queda efetiva, ainda elevada em 14,75%. O patamar implica em custo do crédito alto e instituições financeiras refratárias na concessão de financiamentos.

Depois, o vice-presidente da Mercedes-Benz, ainda lista as eleições, sempre geradora de incertezas – políticas públicas são motores tradicionais do segmento de ônibus – e até mesmo a introdução de novas tecnologias de acionamento do veículo.

“Muitos munícipios têm anunciado transição da frota para gás ou baterias, mas esquecem do planejamento de infraestrutura, ponto fundamental para a operação. Não dá apenas para mudar a chave. Isso acaba impedindo uma renovação, pois faz o empresário esperar por decisões efetivas”, observa Barbosa.

Com tudo no liquidificador, o executivo só tem a dizer que o contexto não permite qualquer previsão, embora tenha um bom argumento para manter viva a chama otimista: “Na última década a Mercedes-Benz negociou 18 mil chassis rodoviários e para fretamento. Foi a marca que mais vendeu ônibus para essas operações.”


Foto: Divulgação Mercedes-Benz

Compartilhar
Publicado por
Décio Costa

Notícias recentes

As chinesas BYD, Foton, JAC, Sany e Sinotruk aderem à Fenatran

Número de montadoras sobre de 7 para 12. Também presentes DAF, Ford, Iveco, Mercedes-Benz, Scania,…

% dias atrás

Inadimplência em 5,85% não impede alta nos financiamentos de veículos

É o índice mais alto desde 2017 pela série histórica divulgada pela Anef

% dias atrás

Future Mobility, a evolução da Eletrocar Show em junho no Anhembi

Evento acontece no Distrito Anhembi e no Sambódromo, na capital paulista, de 22 a 25…

% dias atrás

Banco BV incrementa negócios na área automotiva

Instituição atende 30 mil lojistas em todo o País, dos quais a metade anuncia no…

% dias atrás

ABVE reelege Ricardos Bastos

Entidade também definiu novo conselho diretor para os próximos dois anos

% dias atrás

Em um ano, “Taubatera” já fabricou 100 mil…. Tera!

Com sucesso do SUV compacto, fábrica do Vale do Paraíba produz 820 veículos por dia,…

% dias atrás