A terra arrasada provocada pela pandemia no transporte coletivo de passageiros, o mais prejudicado no setor automotivo na ocasião, foi sendo recuperada ao longo do tempo.
De maneira gradual, o mercado de ônibus se fortaleceu e conseguiu encerrar o ano passado como o melhor desde 2018, com 23,8 mil chassis entregues, 72% acima do consolidado em 2020, ano da crise sanitária. O segmento chega agora, ao fim do primeiro trimestre sob a sombra de mais uma grande incógnita.
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“O ano passado foi para comemorar, embora tenhamos visto o empresário do segmento de ônibus rodoviários com menos apetite”, pontua Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing, Peças e Serviços Ônibus da Mercedes-Benz. “Agora, em 2026, temos um cenário de muitas incertezas em um ambiente que já registra 20% de queda no acumulado do primeiro trimestre.”
Contexto desafiador
Embora a cena nebulosa não seja privilégio apenas do executivo, sobram motivos de preocupação. A começar pelo conflito no Oriente Médio que, além do desastre humanitário, empata a distribuição do petróleo. “Somente nas últimas semanas o custo da operação com ônibus aumentou entre 22% e 25% devido ao diesel mais caro. É certamente, condição que desestimula compras.”
A própria guerra também não ajuda a colocar a Selic em rota de queda efetiva, ainda elevada em 14,75%. O patamar implica em custo do crédito alto e instituições financeiras refratárias na concessão de financiamentos.
Depois, o vice-presidente da Mercedes-Benz, ainda lista as eleições, sempre geradora de incertezas – políticas públicas são motores tradicionais do segmento de ônibus – e até mesmo a introdução de novas tecnologias de acionamento do veículo.
“Muitos munícipios têm anunciado transição da frota para gás ou baterias, mas esquecem do planejamento de infraestrutura, ponto fundamental para a operação. Não dá apenas para mudar a chave. Isso acaba impedindo uma renovação, pois faz o empresário esperar por decisões efetivas”, observa Barbosa.
Com tudo no liquidificador, o executivo só tem a dizer que o contexto não permite qualquer previsão, embora tenha um bom argumento para manter viva a chama otimista: “Na última década a Mercedes-Benz negociou 18 mil chassis rodoviários e para fretamento. Foi a marca que mais vendeu ônibus para essas operações.”
Foto: Divulgação Mercedes-Benz
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