Évisível nas ruas, estradas e concessionárias que os veículos importados têm ganhado espaço cada vez maior na preferência dos consumidores, especialmente aqueles com maior poder de compra, pelo menos por enquanto.

É ainda mais visível nas planilhas da Anfavea, que nesta sexta-feira, 8, mais uma vez manifestou sua preocupação com o crescente número de carros e comerciais leves trazidos de fora.

No primeiro quadrimestre, aponta a entidade, 168,1 mil veículos cruzaram as fronteiras ou chegaram aos portos brasileiros, volume 12% maior do que em igual período do ano passado.

Só em abril, foram 49 mil, 31,3% a mais do que as importações registradas um ano antes.

Ao ser questionado por AutoIndústria, Igor Calvert, presidente da Anfavea, revelou que, do total dos primeiros quatro meses, 58% foram trazidos pelas próprias fabricantes associadas da entidade.

Na prática, portanto, de cada cinco veículos importados que chegaram ao País este ano, três vieram pelas mãos das empresas representadas pela entidade.

Essa contradição de manifestar preocupação com a “invasão” externa e ver as associadas responderem pela maioria dos embarques pode ser refutada pela Anfavea com o fato de que boa parcela vem das operações dessas mesmas empresas na Argentina e Uruguai.

Nesses países do Mercosul, elas se valem de componentes regionais — muitos brasileiros —, o que ajudaria a manter empregos e investimentos aqui. Não deixa de ser um argumento.

No ano passado, 497,8 mil veículos foram importados, 50,2% trazidos de fora do Mercosul e do México, país com o qual o Brasil também mantém acordo comercial. Produtos chineses representaram 37,3%, quase quatro vezes mais do que dois anos antes.

Mas, na verdade, há seis anos o número de veículos importados vem crescendo aos pulos. Passou de 212 mil em 2020, para 254 mil no ano seguinte. Em 2022 chegou a 273 mil, mas com as marcas chinesas respondendo por somente 2,9% do total, índice pouco acima da média dos seis anos anteriores.

LEIA MAIS

→ Puxada pelo mercado interno, produção de veículos é 4,9% maior até abril

“Novo alento ao setor de pesados”, diz Anfavea sobre Move Brasil 2

Só em 2023, mesmo, quando os embarques totais para cá chegaram a 352 mil unidades, os carros chineses atingiram fatia mais relevante, de dois dígitos, 11,9%.

Não se pode negar que agora as marcas chinesas estão em patamar bem mais elevado. De janeiro a abril, vieram do país asiático 80,1 mil automóveis, comerciais leves e uma pequena fração de caminhões — 47,7% do total do período e 81,6% a mais do que os embarques registrados no primeiro quadrimestre de 2025.

A Argentina, que durante anos forneceu a maioria dos veículos trazidos para o Brasil, acumulou somente 54 mil unidades este ano, 20,2% a menos, enquanto o México, atual terceiro maior exportador, enviou 11,5 mil unidades, crescimento de somente 14,4% sobre uma base de comparação muito baixa.


Foto: Divulgação

George Guimarães
ASSINE NOSSA NEWSLETTER GRATUITA

As melhores e mais recentes notícias da indústria automotiva direto no sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam!