Os componentes do sistema híbrido virão de lá e haverá desenvolvimento conjunto de novos modelos, revela Seitz

Embora satisfeito com os resultados da região – que define no contexto global da marca como “a ilha dos felizes” –, o chairman executivo da Volkswagen América do Sul, Alexander Seitz, reconhece que os desafios provocados pela chegada dos chineses no Brasil exigem ações rápidas para evitar perda de competitividade.
É nesse contexto que a empresa resolveu justamente aproveitar o que há de melhor no país asiático para não perder espaço no mercado brasileiro e da região.
Serão três frentes de atuação: trazer da China sistemas para os híbridos a serem produzidos no Brasil e na Argentina, importar carros elétricos que a VW China lançará em 2026 e 2027 e participar do desenvolvimento de carros a serem fabricados tanto lá como na América do Sul.
Seitz revelou tais planos a um grupo de jornalistas antes do início do evento The One, realizado na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira, 19, quando lembrou ter atuado cinco anos em Xangai:
“Sei das vantagens de lá. Eles trabalham dois turnos de dez horas e têm eficiência brutal. No desenvolvimento de carros e peças, são 40% a 50% mais rápidos do que a Europa”.
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O executivo diz que a empresa seguirá defendendo o conteúdo local, mas, neste momento, decidiu usufruir das parcerias chinesas para se manter competitiva na região.
A vea das picapes
Estratégia já iniciada com o projeto Patagônia, referente à nova Amarok, desenvolvimento conjunto com a chinesa SAIC que será produzida na Argentina. Apesar do projeto partilhado, Seitz garante que foram priorizados os ajustes para adequação da picapa à região.
De um total de 5 mil peças, 50% foram localizadas para garantir um “carro VW América Latina”. Segundo a montadora, é o melhor dos dois mundos: a velocidade chinesa mais a qualidade e robustez da engenharia alemã.
Com relação à Tukan, picape de menor porte que será o primeiro modelo eletrificado fabricado no Brasil, o índice de nacionalização será inferior ao dos veículos flex justamente por conta dos componentes do sistema híbrido virem da China.
Com produção a partir de 2027 em São José dos Pinhais, PR, a Tukan nascerá com 76% de peças nacionais, porcentual que é de 85% nos flex.
Durante o evento The One, Seitz destacou que, apesar do avanço dos chineses no mercado brasileiro, a Volkswagen segue crescendo acima da média do mercado. Mas admitiu que agora será necessário o apoio dos chineses.
Destacou a importância da picape Tukan nos projetos da empresa, dizendo que o modelo mira a liderança da marca no Brasil.
“A chegada dos chineses aumenta a pressão sobre custos e volumes. As autopeças precisam nos acompanhar. Só vai funcionar se todos trabalharmos juntos”, conclui o executivo.
Importante lembrar, no contexto da busca de maior aproximação da América do Sul com a China, que a Volkswagen está naquele mercado há mais de 40 anos, contando atualmente com 36 fábricas de veículos e componentes.
O projeto é lançar 20 novos veículos 100% elétricos no país asiático até 2027, praticamente 1 por mês, dos quais parte virá para o Brasil, como já adiantou Seitz.
Foto: Divulgação/VW
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