Após alerta feito em 6 de março, sobre os prejuízos que as importações de pneus vêm causando ao País, a Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneus, divulga nesta quarta-feira, 1, balanço do primeiro bimestre, mostrando recuo de 10,6% no comparativo interanual, de 6,1 milhões para 5,5 milhões de unidades, o mais baixo volume desde 2019.

Os negócios relativos ao mercado de reposição encolheram 10,1% nos dois primeiros meses do ano, enquanto as entregas para as montadoras caíram 11,5%, de 2,1 milhões para 1,9 milhão;

“Os resultados seguem extremamente preocupantes para a indústria nacional, colocando em risco a operação das fabricantes, os empregos e a própria soberania nacional para este insumo estratégico para o país que é o pneu e a borracha”, avalia Rodrigo Navarro, presidente da Anip.

O que mais preocupa no momento são as importações provenientes de países asiáticos, sendo que o segmento mais afetado é o de pneus de carga, com queda de 14,9%. No segmento de passeio o declínio foi de 9,8%, enquanto no de motos houve estabilidade.

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O market share dos pneus nacionais fechou o primeiro bimestre em 31%, abaixo dos 41% verificados no primeiro bimestre de 2025. Em 2021, o índice era de 63%, informa Navarro, revelando que o setor segue dialogando com o governo para que sejam adotadas medidas contra a concorrência desleal.

“No manifesto que enviamos no início de março ao governo, assinado por 40 entidades, nós pedimos medidas urgentes para trazer maior equilíbrio ao mercado”, explica o presidente da Anip, enumerando (abaixo) as principais:

1. Estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) com base em valores internacionalmente praticados; em análise documental detalhada (antifraude); e de comprovação de cumprimento de metas abientais estabelecidas; além destas, medidas de salvaguarda cabíveis, conforme determinado pelo gGoverno.

2. Celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso.

3. Estímulo para compras governamentais e em linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo e que efetivamente cumpram com a legislação ambiental e de conformidade técnica vigente.

4. Adoção pelo Brasil de medidas tarifárias alinhadas com aquelas praticadas por outros países com base industrial forte.

5. Implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração por parte do governo federal.

Segundo ele, esse é um pacote de medidas que visa reestabelecer as condições de isonomia para preservar a indústria nacional e seu ecossistema, que atualmente emprega 35 mil pessoas diretamente e mais de 500 mil indiretamente.


Foto: Divulgação/Goodyear

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