Os contratos de financiamentos por meio do Move Brasil aceleraram o ritmo das linhas de montagem das fábricas de caminhões em março. A produção no mês passado somou 11.311 unidades, aumento expressivo de 42,8% na comparação com o consolidado em fevereiro, de 7.797 modelos.

Apesar do crescimento, a produção de março ainda ficou 5% abaixo do que registrou no mesmo período de 2026, quando a saíram das linhas 11.720 caminhões.

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No acumulado do primeiro trimestre a descompasso se mostrou ainda mais acentuado. De janeiro a março, a produção chegou a 25.739 unidades, volume 18,9% inferior aos 31.731 caminhões que anotava um ano antes.

“Sem dúvida, o resultado mensal reflete o Move Brasil e ainda deve aparecer nos próximos meses”, avaliou Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante apresentação do desempenho do setor automotivo ao fim do primeiro trimestre, na quarta-feira, 8.

O dirigente entende que o programa cumpriu o papel de atenuar a queda na produção e no mercado de caminhões, mas entende que ainda há longo caminho pela frente. “O cenário como um todo se mantém ruim. O Move Brasil apenas proporcionou um respiro.”

O presidente da Anfavea adiantou que há pleito de prorrogação do Move Brasil, pois o custo e o acesso ao crédito são os que mais impactam o segmento de caminhões, especialmente o de pesados,

“Independentemente do Move Brasil, há outros fatores críticos que tiram o apetite do transportador em renovar frota. O cenário externo trouxe pressões no custo do diesel, no preço do frete e, talvez, redução menor do que se esperava na Selic.”

É justamente a conjuntura atual que Calvet prefere não revisar projeções para o ano, como esperava fazer ao fim do primeiro trimestre. A associação mantém a estimativa de alta de 1,4% na produção de pesados (caminhões e ônibus), para 154 mil unidades, e leve queda nas vendas de 0,5% com 136 mil veículos. “Vamos ver como será o comportamento do setor nos próximos meses para um diagnóstico mais assertivo em julho.”


Foto: Divulgação Mercedes-Benz

Décio Costa
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