A Tupy, multinacional brasileira da área de fundição, acelera o desenvolvimento de um novo negócio ao colocar em operação uma planta-piloto de reciclagem de bateria. O projeto, iniciado em 2021 incubado em laboratório, ganhou ares industriais com uma unidade instalada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no campus da USP.
O centro foi preparado para ser capaz de absorver todas as etapas de reciclagem da bateria. O processo, de maneira simplista, se desenrola em desmontagem e moagem para obter a chamada black mass, a mistura de materiais críticos. Em seguida, a massa passa pela hidrometalurgia, fase na qual se recupera os produtos desejados: manganês, lítio, cobalto e níquel, além do grafite.
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A ambição do projeto é de reintroduzir os ditos materiais raros na cadeia de produção de baterias. O negócio é promissor desde o ponto de vista financeiro quanto ambiental. “Somente a black mass gira em torno de US$ 500 a tonelada. Depois, a reciclagem proporciona sinergia com a mineração, ou seja, reduz necessidade de extração do material virgem”, observa André Ferrarese, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Tupy.
A unidade no IPT nasceu com uma capacidade de reciclar 400 toneladas de baterias por ano, o equivalente a 1 mil componentes do carro 100% elétrico. O centro, por enquanto, conta sete fornecedores de baterias para reciclagem, desde atuantes do setor automotivo como também de empresa de telecomunicações e informática.
“Apesar dos avanços desde 2021, ainda estamos em fase de testar limites. Entender a rota que melhor nos cabe na cadeia, seja fornecendo a black mass ou os materiais críticos já recuperados”, conta Luciana Gobo, especialista de Projetos e doutora em Química da Tupy.
O projeto já absorveu R$ 40 milhões com suporte da Finaciadora de Estudos e Projetos (Finep), agência pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A Tupy estima que até o fim de 2028 poderá ter adquirido conhecimento suficiente para atuar de maneira efetiva na cadeia de produção de baterias, mas daí, em escala industrial. “Coisa de 10 mil toneladas/ano”, ambiciona Ferrarese.
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