Este desfecho para os projetos mal explicados da futura “fabricante” brasileira já era esperado. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação das apostas de quota fixa e promoções comerciais, concluiu que há “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta” por parte da Lecar. A informação foi veiculada por Tácio Lorran, colunista e repórter investigativo do site Metrópoles.

Indícios apontam estrutura semelhante à pirâmide financeira, publicidade enganosa, omissões e violações a quatro artigos do Código de Defesa do Consumidor. As irregularidades incluem taxa de adesão, venda de promessas, gatilhos psicológicos e comercialização de entrega futura sem a existência de um produto validado.

O fundador e executivo-chefe da Lecar, Flávio Assis, admitiu ao site não ter o carro homologado e nem fábrica, mas “tudo está em desenvolvimento e nada é diferente do que comunicamos”. Em relação à instalação industrial em Sooretama (ES) assumiu novos atrasos, mas afirma que o processo tem avançado bem.

Mudanças de planos, até agora, vão desde o aparente arrependimento (ou simples adiamento) de produzir um modelo elétrico tradicional (Lecar 459) até a troca do Rio Grande do Sul pelo Espírito Santo para a futura fábrica, além de apresentar uma picape batizada de Campo, no último Salão do Automóvel, na capital paulista, em novembro passado. A maquete da picape sem motor, câmbio e suspensões até mostrou razoável apelo visual, embora tenha entrado no palco empurrado pelas rodas traseiras com auxílio de dois suportes sobre rodinhas.

A previsão de momento é que as primeiras unidades saiam da linha de montagem de Sooretama (ES) em meados do próximo ano. Contudo, compradores precisam ser convencidos, entre outras garantias, sobre nomeação clara de uma rede de concessionárias. Os próximos passos da SPA podem lançar mais desconfianças sobre o método de “compra programada”. Lecar movimenta-se desde 2022 com intenções e maquetes. Não se sabe quantos veículos foram de fato vendidos antecipadamente. Sem esquecer de que o mercado brasileiro conta com 15 marcas chinesas entre importação e produção local.

Se já está difícil para fabricantes estabelecidos aqui há pelo menos sete décadas, imagina-se o que esperar da Lecar. Boa sorte.

 

Leapmotor B10 atrai por desempenho e preço

SUV elétrico médio-compacto B10 de tração traseira, segundo produto da parceria com a Stellantis, representa o modelo de volume da marca com foco em tecnologia e custo-benefício. Adota linhas limpas e futuristas, faróis e lanternas de LED em dois níveis e rodas de 18 pol. Internamente destaca-se pela sofisticação, sustentabilidade (materiais hipoalergênicos) e teto panorâmico, além de um bom porta-malas de 365 L (VDA) e mais 21 L na frente. Há soluções práticas como destravamento automático das portas por aproximação portando a chave.

Leapmotor B10 dispõe de central multimídia de 14,6 pol. e quadro de instrumentos de 8,8 pol. Há atualizações remotas (OTA, na sigla em inglês) e conexão sem fio para smartphones. Motor traseiro entrega 218 cv e 24,5 kgf·m. Bateria LFP de 52,6 kW⋅h está integrada ao chassi e aceita recargas rápidas de até 140 kW, além de recuperar de 30% a 80% da carga em 16 minutos. Em segurança, inclui sete airbags e Adas (sigla em inglês de Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista) nível 2 completo.

Em primeira avaliação de São Paulo a Cabreúva (SP), demonstrou equilíbrio muito bom com 50% da massa em cada eixo. Entrega de potência progressiva, sem trancos e bom isolamento acústico também necessário em carros elétricos. Intensidade de regeneração de energia é ajustável e provê estilo de condução “um-pedal”. Direção leve em manobras, ganha peso em velocidades maiores e filtra bem irregularidades do solo. Acelera de 0 a 100 km/h em 8 s. Alcance médio de 288 km (padrão Inmetro).

A chave em formato de cartão NFC, embora moderna, exige posicionamento exato em um ponto específico para destravar e energizar o motor. Isso se traduz em usabilidade menos intuitiva no cotidiano, comparada às chaves presenciais tradicionais. No balanço geral, o B10 posiciona-se como uma das apostas mais competitivas entre SUVs elétricos por equilibrar desempenho, espaço e conectividade por um valor atraente. E terá produção local em Goiana (PE).

Preço: R$ 182.990.Parte inferior do formulário

 

Nissan confirma nova picape média híbrida

Lançamento está previsto para final de 2026 ou início de 2027 no Brasil, ainda a confirmar, mas chegará antes ao México com o nome de Frontier Pro. Será primeira picape da marca japonesa com sistema híbrido plugável (PHEV, em inglês). Para garantir que atenderá todas as demandas, a versão apenas com motor Diesel será oferecida por se tratar de um produto de menor preço e, portanto, de maior alcance comercial.

Picape eletrificada Nissan Frontier Pro plug-in hybrid (PHEV)

Apresentada no Salão de Xangai de 2025, a picape tem como base o modelo chinês Dongfeng Z9. Um produto inédito que incorpora motor Diesel turbo de quatro cilindros e um motor elétrico integrado ao câmbio. Potência combinada de 435 cv e 81,5 kgf·m. No interior destaca-se a grande tela multimídia de 14,6 pol.

A Nissan anunciou agora no Japão que reduzirá de 56 para 45 o seu portfólio atual de modelos e assim encaminhar mais rapidamente o seu plano de recuperação financeira. Três famílias de produtos cobrirão 80% do volume mundial de vendas. O sedã elétrico N7 também chegará ao Brasil.

 

Nivus GTS é caro, mas tem muitos atributos

Versão de visual esportivo do SUV compacto da VW apresenta soluções discretas, porém de acordo com a proposta da sigla desde 1983 com o Passat GTS Pointer. Primeiras providências foram retirar as inúteis barras no teto, altura de rodagem discretamente rebaixada em 2 mm, defletor de teto que não está lá só por enfeite e rodas opcionais de 18 pol. com desenho de fato atraente e preço à parte.

Outras mudanças têm tudo a ver com a sigla: novos amortecedores e coxins, molas traseiras, barra estabilizadora e até braços de controle da suspensão dianteira McPherson. Resultados bons, sem grande sacrifício no conforto de marcha, até aceitável (para a proposta) em piso irregular.

Todos os retoques de acabamento interno são discretos e de bom gosto. Tela multimídia é a mesma (10,1 pol.), não tão intuitiva como deveria até para simples sintonia do rádio. Além de seis airbags, pacote Adas de segurança ativa inclui sistema de estacionamento semiautônomo em vagas paralelas e perpendiculares.

Dimensões (mm): comprimento, 4.276; entre-eixos, 2.566; largura, 1.757; altura, 1.499. Volumes (L): porta-malas, 415; tanque, 49; Massa: 1.266 kg. Motor 4-cilindros turbo 1,4 L flex: 150 cv (G)/(E); 25,5 kgf·m (G)/(E). Consumo (km/L, Inmetro): cidade, 8,1 (G); 9,9 (E); estrada, 14,2 (G); 11,6 (E). Alcance (km): cidade, 568 (G) e 397 (E); estrada, 696 (G) e 485 (E). Tração dianteira. Câmbio automático epicíclico, seis marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 8,4.

Preço: R$ 189.690.

 

Aumovio confirma importância do mercado brasileiro

Lançada oficialmente no Brasil como resultado de separação (spin-off) da alemã Continental, a Aumovio posiciona-se como empresa independente com foco em software, conectividade e soluções de alto valor agregado. Criada em 2025, a companhia emprega 82 mil funcionários, mais de 80 unidades globais e faturamento de € 18,5 bilhões. O portfólio contempla sensores, mostradores, sistemas de freios, plataformas eletrônicas e sistemas avançados de assistência ao condutor (Adas, em inglês).

 

O País é considerado mercado estratégico pela relevância industrial e diversidade da cadeia automotiva. Desenvolverá parcerias com fabricantes aqui instalados, além de se expandir no mercado de reposição. A operação integra marcas consolidadas como VDO e ATE. A nova companhia pretende crescer de 3% a 5% ao ano no Brasil e está em conversação com três marcas chinesas para produção local.


Fotos: Divulgação

Fernando Calmon
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