Assim que foi divulgada a decisão do Gecex, Comitê-Executivo de Gestão da Camex, Câmara de Comércio Exterior, a Anfavea emitiu nota oficial destacando ver com grande preocupação o restabelecimento de incentivos à importação de veículos eletrificados desmontados e semidesmontados (CKD e SKD).

“A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças, como atestaram dezenas de manifestações públicas assinadas por sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria nos últimos dias”, argumenta a entidade.

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Lamentando que a decisão tenha sido tomada sem consulta ao setor produtivo, alega que a volta das cotas altera de forma intempestiva política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o País.

“Ao prolongar benefícios, criados como temporários no ano passado, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas”, avalia a Anfavea, cujo presidente, Igor Calvet, admitiu na segunda-feira, 22, que a entidade poderia avaliar ação judicial caso houvesse a volta dos incentivos para CKD/SKD.

No documento divulgado nesta terça-feira, a associação das montadoras aqui instaladas lembra que a eletrificação avançou de forma acelerada no país nos últimos anos, com a chegada de novas marcas e o aumento significativo do portfólio de produtos do gênero.

Ressaltou, entre outros números, que os emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025:

“Ao mesmo tempo, a indústria respondeu aos estímulos criados pela política pública e as fabricantes anunciaram R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, destinados a novas formas de propulsão, incluindo a eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores”.

Os resultados também apareceram na produção nacional de eletrificados, que respondeu por 25,9% das vendas do segmento no ano passado.

Dessa forma, a discussão, na avaliação da Anfavea, deixou de ser como acelerar a entrada dos veículos eletrificados no mercado brasileiro e o desafio passou a ser como garantir que essa transformação gere mais produção local.

“O que está em debate, com essa decisão, não é a transição energética, que já está em curso e não vai parar. O que está em debate é qual modelo de desenvolvimento o País pretende incentivar para a nova mobilidade e qual espaço será reservado à produção nacional nesse processo”, conclui a associação das montadoras instaladas no Brasil.


Foto: Divulgação

Alzira Rodrigues
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