Na recente edição do evento Future Mobility realizado na capital paulista, híbridos e elétricos, conectividade, sustentabilidade e inovação foram motivo de discussões aprofundadas. Reuniu fabricantes, fornecedores, empresas de tecnologia e especialistas que informaram e debateram soluções para os próximos anos.

Uma das pautas mais interessantes foi apresentada pelo consultor Murilo Briganti, executivo operacional-chefe da Bright Consulting. Ele chamou atenção para o desaparecimento paulatino do chamado carro popular. Novas exigências regulatórias de itens de segurança, além de eficiência energética para diminuir consumo de combustível e emissões, tornaram os carros mais caros.

Por outro lado, aumentou a oferta de novos veículos e de marcas chinesas que pressionaram os preços para baixo. Briganti prevê uma concorrência cada vez mais acirrada e até 2030 produtos chineses, importados ou produzidos localmente, poderão aumentar a participação de mercado para 30%.

Também na sua avaliação diferentes tecnologias vão conviver no mínimo em médio prazo. Isso inclui motores flex, semi-híbridos, híbridos plenos e plugáveis, além de veículos apenas elétricos. Assim, o consumidor terá alternativas compatíveis com diferentes perfis de uso.

Em outro evento, o Energy Summit, no Rio de Janeiro, o especialista israelense em eletroquímica Doron Aubarch chamou atenção para as baterias de sódio. “Além de que nunca teremos escassez de sódio, esta é uma alternativa às de lítio. A China representa um grande avanço com o lítio, mas outros países precisam de uma indústria local”, completou.

Baterias de sódio apresentam menor risco de incêndio e operam melhor em temperaturas extremas positivas ou negativas. Todavia entregam menor densidade energética. O seu preço deve igualar-se às de lítio no próximo ano.

 

Quase 60% já usam I.A. na compra de carros no Brasil

Os dados são do Google e apresentados durante o recente seminário Anfavea Visions 2026. Na pesquisa, 57% informaram que usam ferramentas de inteligência artificial (I.A.) no processo de escolha da marca e tipo de veículo. Isso acaba por alongar o tempo até a decisão final. Organizar informações e comparar opções pelo maior acesso a todo o universo de ofertas incentivam o consumidor a avançar nas pesquisas antes da escolha. Enquanto outros 30% apelam à I.A. para comparar fabricantes e modelos, 13% admitem transferir parte da decisão à própria I.A.

Aqui estamos entre os mercados mundiais mais receptivos a essa mudança. Outra pesquisa, desta vez Google/Ipsos com 21.000 pessoas em 21 países, havia indicado que 54% dos brasileiros usaram I.A. generativa em 2024, acima da média global de 48%. Também se registram 65% de percepção positiva sobre a tecnologia e 60% acreditam em ganhos econômicos associados ao seu avanço.

Especialistas preveem que o próximo passo virá com agentes de I.A. capazes de executar tarefas de forma autônoma para o usuário desde o processo de compra ao pós-venda. Veículos conectados ajudarão, pois enviarão dados de forma direta a fabricantes e concessionárias.

Mas nem tudo são flores. A Ford acaba de contratar 350 engenheiros seniores para seus quadros técnicos nos EUA. Segundo a agência Bloomberg eles chegaram para corrigir problemas ocasionados pela inteligência artificial, que causaram prejuízos bilionários à fabricante.

Quanto ao transporte por aplicativos, a empresa brasileira Machine, especialista em alternativas de mobilidade e entregas, indica que cinco marcas dominam cerca de 80% das viagens: Chevrolet (20,94%), Volkswagen (19,08%), Fiat (18,40%), Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%).

 

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GWM confirma a segunda fábrica no Brasil

 Na cidade de Aracruz, a 80 km de Vitória, capital do Espírito Santo, será construída a segunda fábrica da GWM. A empresa chinesa produz aqui desde agosto de 2025 nas instalações adquiridas da Mercedes-Benz, que interrompeu a produção em dezembro de 2020. De lá saem os SUVs H6 e H0 e a picape Poer. A marca não informou o total a investir no estado capixaba, nem todos os produtos escolhidos. Contudo, há a confirmação de pelo menos um modelo: o SUV elétrico Ora 5, lançado no mês passado.

 

A nova instalação industrial em área de 1,7 milhão de m² prevê a produção de veículos a combustão (certamente com motores flex), híbridos e elétricos. O novo investimento faz parte dos R$ 10 bilhões que a marca reservou ao Brasil ao longo de 10 anos (até 2032) e vai gerar 9.000 empregos diretos e indiretos. Local escolhido é estratégico por estar em um dos maiores polos logísticos e portuários, que abriga a primeira Zona de Processamento de Exportação de capital privado do País, inaugurada em julho de 2023. A GWM terá então condições competitivas de exportar para os principais mercados da América Latina: Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e México.

Em janeiro deste ano a fabricante já havia anunciado tratativas com o governo estadual e agora, apenas seis meses depois, acertou o segundo investimento que poderá superar o total antes previsto de R$ 10 bilhões, a depender do crescimento do mercado brasileiro.

 

Geely EX5 EMi Ultra: destaque para espaço interno

Produção acertada agora no segundo semestre na fábrica paranaense da Renault e a conveniência de um híbrido colocam o Geely em um bom posicionamento pelo preço competitivo. Caracterizado por uma parte frontal típica dos modelos chineses, o EX5 exagera um pouco no formato das tomadas de ar laterais. De perfil destacam-se rodas de 19 pol., frisos em torno das janelas e barras no teto discretas. Traseira inspira-se ligeiramente no Porsche Cayenne.

Dimensões (mm): comprimento, 4.740; entre-eixos, 2.755; largura, 1.905 (2.200 com espelhos); altura, 1.685. Volumes (L): porta-malas, 428; tanque, 60. Massa: 1.782 kg. Híbrido pleno. Motor 4-cilindros 1,5 L: potência 160 cv; torque 12,3 kgf·m. Motor elétrico: 218 cv; torque 26,7 kgf·m. Potência combinada: 262 cv; Torque combinado: 38,7 kgf·m. Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 14,6/13,3. Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 876/798. Tração dianteira. Câmbio automático DHT, uma marcha. Aceleração 0 a 100 km/h: 7,8 s.

No interior, chamam atenção o formato do volante, quadro de instrumentos de 10,2 pol. e acréscimo do sempre útil projetor de dados no para-brisa, além da grande tela multimídia de 15,4 pol. de boa resolução e espelhamento sem fio de Android Auto e AppleCarPlay. Carregador de celular por indução no console fica em posição alta e exposta (na China não deve haver quadrilhas de quebradores de vidros para roubos). Espaço muito bom, inclusive para passageiros do banco traseiro. Porta-malas inclui estepe e ainda oferece mais de 400 litros. Há opção de interior claro ou escuro.

Conforto de marcha destaca-se pela maciez, sem exagerar, além de lidar bem com buracos e ondulações. Surpreende a qualidade do sistema de áudio pelos alto-falantes nos encostos de cabeça, na frente e no teto, atrás. Respostas ao acelerador muito boas para um SUV desse porte. Quanto ao consumo depende da escolha do motorista, que pode optar pelo motor recarregar a bateria. No quadro de instrumentos, estando a bateria com carga completa, aparecem mais de 1.000 km de alcance. Mas esta projeção cai rapidamente em uso cotidiano, mesmo sem excessos no acelerador.

Preço: R$ 244.990


Fotos: Divulgação/I.A.

Ressalva: Na coluna da semana passada, trecho correto da nota de Sérgio Nobre, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), antes da controversa decisão do Gecex, é o seguinte: “Caso aprovada a reversão da medida que impõe a retomada da tributação, com o consequente retorno da importação de veículos SKD e CKD em alto volume, teremos um prolongamento dos impactos claramente negativos ao processo de reindustrialização do País, ameaçando empregos qualificados em toda a cadeia automotiva e afetando gravemente os esforços do País na implementação do programa Nova Indústria Brasil (NIB).”

 

Fernando Calmon
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