A comemorada recuperação da produção brasileira de veículos em 2026 será sustentada pelo mercado interno apenas. As vendas externas, ao contrário, continuam no vermelho depois do primeiro semestre.

O Brasil exportou de janeiro a junho 216,6 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra 274,9 mil unidades no mesmo período de 2025, expressivos 21,2% a menos, aponta levantamento da Anfavea.

Diante desse resultado, a entidade que reúne as montadoras, decidiu rever sua projeção para o ano.

Se a expectativa divulgada em janeiro era de modesto crescimento de 1,3%, para 536 mil unidades, agora o setor aposta em somente 462 mil veículos, recuo vigoroso de 12,8% frente aos 529 mil embarcados no ano passado.

Os automóveis e comerciais leves, responsáveis pela maior parte dos embarques, acumularam queda de 16% nos primeiros seis meses do ano, de 258,2 mil para 203,1 mil unidades. Já caminhões e ônibus recuaram de 16,7 mil para 13,5 mil veículos.

Os números isolados de junho confirmaram a desacelaração dos embarques verificadas nos últimos meses. Foram exportadas 36,7 mil unidades, 1,9% a menos do que em maio e 26,7% abaixo da frota de junho de 2025, quando os embarques  somaram 50,1 mil veículos. No segmento de leves, a retração chegou a 27,1%, enquanto caminhões e ônibus recuaram 21,9%.

Mercados vizinhos perderam força

A queda das exportações brasileiras está diretamente ligada ao enfraquecimento dos principais destinos da produção nacional, cenário já apontado pela Anfavea em meses anteriores.

Igor Calvet, presidente da entidade, destaca em especial a Argentina, cujo mercado interno recuou perto de 10% de janeiro a junho.

Ainda maior mercado externo da indústria brasileira, o argentino reduziu suas compras em 35,4% no primeiro semestre, passando de 164,2 mil para 106 mil veículos. O México, segundo principal destino, registrou retração de 4,8%, de 38,2 mil para 36,3 mil unidades.

Entre os cinco maiores compradores, apenas a Colômbia apresentou crescimento, de 10,5%, elevando suas importações de 20,1 mil para 22,2 mil veículos. Uruguai e Chile também encolheram, com quedas de 27,8% e 18,5%, respectivamente.

O cenário confirma o quadro observado ao longo dos últimos anos: a elevada dependência do Mercosul e da América Latina torna as exportações brasileiras vulneráveis às oscilações econômicas da região, especialmente da Argentina, mercado que responde por praticamente metade dos embarques nacionais.

Os números também mostram uma mudança estrutural no perfil da indústria brasileira. Depois de atingir participação de 28% da produção em 2017, as exportações passaram por sucessivas oscilações e representaram  apenas 15,8% dos veículos fabricados no País no primeiro semestre.

Em sentido contrário, os veículos importados ampliaram sua presença no mercado brasileiro. A participação deles nos licenciamentos, que era de 10,9% em 2017, chegou a 19,7% no primeiro semestre deste ano, praticamente dobrando em menos de uma década.

O contraste evidencia que a expansão da produção nacional em 2026 está sendo sustentada essencialmente pela demanda doméstica. Tanto que a Anfavea elevou sua projeção de fabricação de veículos de 2,74 milhões para 2,79 milhões de unidades, crescimento estimado de 5,8% sobre 2025, enquanto reduziu de forma expressiva sua expectativa para as exportações


Foto: Divulgação

George Guimarães
ASSINE NOSSA NEWSLETTER GRATUITA

As melhores e mais recentes notícias da indústria automotiva direto no sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam!